09/02/2012

Nos aos montes

Estou até emocionado com tanta solidariedade! Depois de contar aqui que meu pai estava decidido a dar um nó no cordão de minha bermuda, para evitar que eu tirasse tudo à noite e acordasse de vento a favor, recebi até um manual de nós. Não de mim, meu pai, você etc., mas de como desatar nós. O Itamar Dias, de Catalão, GO, escreveu um verdadeiro tratado sobre nós. Não sobre eu e o Itamar, mas nós de amarrar e desamarrar. Portanto, se quiser saber mais sobre nós (não eu e você), continue lendo.



Olá Pedrão;

Bom, desatar nó não é difícil. É engenharia reversa, ou seja: desmontar, e com uma vantagem: não precisa de graduação e muito menos pós-graduação. E tem mais, sem a necessidade de ter que montar depois. (Por falar nisso ta cheio desses engenheiros por ai).

Pra facilitar pesquisei e encontrei um monte de nó, quero dizer muitos nós. Até que dá pra amontoar nós. Lembro-me de uma vez, quando criança, em que peguei o laço do meu pai (morávamos na fazenda) e fiz um balanço. Amarrei tão bem amarrado na árvore que meu pai, quando foi desamarrar, me perguntou: Cumé qui ocê conseguiu fazê esse monte de nó?

Bom, aqui vão alguns nós que encontrei:

Nó direito: esse seu pai não ira utilizar porque ele precisa de dois cordões; ele vai usar um só. Além disso tem que fazer o nó direito senão não amarra. Vamos descartar esse.

Nó catau: esse é pra diminuir o tamanho do cordão. Tomara que ele não diminua muito. Pensando bem é melhor que diminua bastante, assim não dá tamanho pra te amarrar.

Nó de correr: quanto mais puxa mais aperta. Esse é de apertar. Vamos torcer pra que ele não aperte muito senão você vai ficar com a cinturinha igualzinha a daquela cantora -- não, não é a da Alcione, é da Paula Fernandes.

Nó fateixa: prende um cordão a uma argola. Já que ele vai usar só o cordão esse também está descartado.

Nó em oito: esse é usado para que o cordão não desfie, ou seja, dá um nó em cada ponta. Esse é oito não é oitenta. É nó só nas pontas. É um a menos (ou oito a menos?) pra você se preocupar.

Nó de frade: esse nó é meio enrolado. Eu não entendi muito bem o porquê do nome. Será que eles também usam fraldas?

Nó cego: ah, desse eu conheço um monte: eu (quero dizer: eu conheço), o seu Joaquim pedreiro, o seu João ali da esquina, o meu mecânico, o seu Zé da Casa das Cordas (huuum, como ele dá nó). Essa turma dá nó até em goteira. Ainda bem que seu pai não conhece nenhum deles.

Com tanto nó você só tem duas opções: torcer para seu pai terminar enroscado nesses nós ou negociar com ele. Faz uma proposta pra ele. Você dorme com o protetor bucal dele e ele dorme mordendo sua fralda. Pode ser uma novinha. Também não precisa brigar se ele insistir em uma usada. Tomara que o protetor de silicone dele não seja daquela marca que tá dando problema por ai, porque se for vai vazar...

Bom, não tenho o seu e-mail, por isso estou encaminhando pelo e-mail do seu pai. Acho que não vai chegar até você. Duvido que ele irá querer que você descubra o segredos dos nós.

Mas tem um que com certeza ele vai te contar, é o Nó abraço: esse é o campeão. Nó de pai. Nó de mãe. Nó de irmãos. Nó das pessoas queridas. Quanto mais aperta, mais gostoso. Quanto mais amarra, mais caloroso. Quanto mais nos prende, mais carinhoso.

É claro que isso é só uma maneira divertida de falar dos nós. Um abraço. E Que as bênçãos de Deus e o amor do nosso Senhor Jesus Cristo estejam com você.

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