23/03/2013

O enigma das vagas para deficientes

Outro dia fui passear com meus pais e meu irmão Lucas, que passou por aqui numa escala vindo da Europa rumo aos Estados Unidos, onde ele mora. Mas não pense que ele é turista não. Ele viaja um bocado a trabalho, mas quando passa pelo Brasil não se esquece de me visitar.

Como meu pai já anda meio velho e cansado (nem diga para ele que eu disse!), meu irmão pilotou minha cadeira de rodas o tempo todo. Eu logo notei a diferença de ter um motor mais novo me empurrando e também não tinha aquele barulho que meu pai faz, quando fica fungando de cansaço.

Minha cadeira ganhou um motor quase 30 anos mais novo!

No domingo fomos almoçar em um restaurante em minha cidade e estava muito bom. É claro que sempre acontece alguma coisa, e desta vez meu pai foi o premiado. Pedimos todos os pratos e todos os pratos chegaram, menos o de meu pai, que ficou beliscando pão com manteiga.

Este motor é ais silencioso que o outro porque não fica ofegante e nem para a cada dez metros para descansar.
Depois de algum tempo, e quando meu pai já estava comendo dos pratos meu, de meu irmão e de minha mãe, ele achou melhor reclamar com o garçom e descobriu que o prato que ele havia pedido tinha sido entregue em outra mesa. "Mais dez minutinhos..." prometeu o garçom.

É claro que não foram mais dez minutinhos. Todos já tinham terminado de almoçar quando chegaram as costelinhas de carneiro que meu pai havia pedido. Experimentou uma e mandou embrulhar o resto. Quando as costelinhas chegaram a fome já tinha ido embora.

Mas o mais estranho foi na hora que chegamos. O restaurante é bom e organizado, e tem até duas vagas para cadeirantes. Porém fiquei intrigado com o mistério das vagas. Havia um carro estacionado a 45 graus ocupando as duas vagas, e havia também uma moto em cada vaga. Meu pai tirou a foto na qual não dá para ver a moto que está atrás do carro. Se você for Sherlock Holmes, por favor, me ajude a decifrar o enigma. Cheguei a algumas conclusões, mas não sei qual é a correta:


Tente solucionar o mistério das vagas!

a) O cadeirante do carro teve dificuldade para estacionar por culpa dos cadeirantes que vieram de moto e já tinham ocupado as vagas.

b) Os cadeirantes que vieram de moto precisaram arrastar o carro para aquela posição para poderem entrar nas vagas.

c) Ocorreu um terremoto ou enchente e veículos de outras vagas vieram parar nas vagas para cadeirantes.

d) O cadeirante do carro viu duas cadeiras de rodas nos sinais e concluiu que podia estacionar um veículo com quatro rodas, desde que ocupasse as duas vagas.

e) As placas das paredes foram colocadas depois que os veículos já estavam estacionados.

Obviamente eu não coloquei aqui nenhuma opção pensando na possibilidade de uma pessoa que não seja deficiente ter ocupado, não apenas uma, mas duas vagas reservadas a cadeirantes. E também eu não iria supor que os motociclistas fossem capazes de andar. Devem ser deficientes super-eficientes que trouxeram a cadeira de rodas na garupa da moto só para usá-las dentro do restaurante.

Se você resolver este enigma ganhará um comentário do tipo: "Elementar, meu caro Watson". Ou posso ver se ainda sobraram umas costelinhas de carneiro.

3 comentários:

PERSEVERÂNÇA disse...

Realmente é um enigma, descobrir que é o infeliz que passa correntes nos estacionamentos; recentemeente no Extra-Sacomã, além de não ter um estacionamento amplo, as 2 únicas vagas estavam indisponíveis e a outra com correntes passadas; já no Metrô os jovens cidadãos que são acompanhantes qdo chegam com os deficientes visuais não tem espaço no local "reservado";realmente a inclusão de fazer valer os espaços e locais adequados está cada vez mais dificil, tem campanhas, tem leis, pessoas treinadas, alguns comercios pagam multas por não terem suas calçadas adequadas para o uso especial, mas não consigo entender porque o ser humano não respeita esse direito e não facilita a locomoção e a inclusão das pessoas "especiais"sejam elas idosas ou não.
Parabéns por citar nesta postagem um caso veridico, super abraço.
Te espero no Perseverança.
Nicinha

Rubens Campos disse...

É simples, Pedro. O carro e as motos fugiram de seus donos e, para não serem descobertos, se fantasiaram de veículos para cadeirantes. Os seus donos pedem mil desculpas pela indelicadeza de seus veículos fujões.

Eci Meira disse...

Isto é lamentávell ne Pedrão? Total falta de consideração. Fica com Deus!

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