04/04/2013

Exploracao de deficientes

Sabia que você pode ter participado da exploração de deficientes? Seria péssimo descobrir que fez isto, não é mesmo? E se você for convidado para colaborar na exploração da imagem de uma criança com má formação? Não aceitaria? Mas talvez você já tenha sido um dos culpados por infernizar a vida de algum cidadão que agora corre o risco de ser linchado se for reconhecido na rua. Ou precisou mudar de telefone por não aguentar mais receber chamadas no meio da noite. Como é que você poderia ter feito tudo isso? Eu explico.



Existe um golpe muito antigo e cada vez mais praticado na Internet. São os boatos espalhados de propósito por pessoas cruéis. Mesmo antes de surgirem as redes sociais eles já eram espalhados na forma de e-mails contando uma história triste de uma criancinha doente que poderia receber tratamento financiado pela Microsoft, AOL ou outra empresa, caso aquele e-mail fosse reenviado trocentas mil vezes.

Aí você fazia as contas (geralmente o texto prometia que para cada reenvio a criança recebia alguns centavos dessas empresas) e via que aquela caridade iria sair de graça para você. Um clique aqui e outro ali e você se sentia a pessoa mais maravilhosa do planeta por ter ajudado a criança, sem saber que não existe como uma empresa medir quantas vezes o email foi reenviado. Na sua ingenuidade você também nem percebia que uma empresa que prometesse ajudar uma criança com uma condição dessas deveria ser denunciada por abuso e exploração.

A versão mais moderna do golpe está agora nas redes sociais. Você abre seu Facebook e está lá aquela imagem triste de uma criança deformada e a promessa de que ela será auxiliada se você compartilhar e curtir. Pronto! Você se sente bem outra vez e nem percebeu que não existe qualquer forma de medir essas curtidas e que seria igualmente cruel uma empresa prometer auxílio fazendo propaganda às custas de um deficiente.

Outro dia meu pai viu uma foto de um jovem deficiente e a promessa era que se curtisse estaria ajudando o rapaz a ganhar uma cadeira de rodas. Exceto pelo nome "Victor" não havia endereço, telefone, e-mail coisa nenhuma. Como alguém poderia entregar a cadeira de rodas àquele desconhecido da foto? Quem seria tão cruel ao ponto de poder dar uma cadeira de rodas a ele, porém ficasse esperando dias até que a foto tivesse um número satisfatório de curtidas? Pois é, você nem pensou nisso quando curtiu, não é mesmo?

Uma outra versão do golpe utiliza a foto de alguém do Facebook acompanhada de um "PROCURA-SE" ou "DESAPARECIDO". Talvez traga o nome da pessoa (ou um nome fictício), mas nenhuma indicação de contato. O infeliz que teve sua foto usada por um "amigo", ex-esposa ou ex-namorada, pode acabar linchado se reconhecido na rua, e mesmo em casos de supostos desaparecimentos é preciso confirmar com a polícia. Já teve gente que precisou cancelar o telefone depois que seu número apareceu num anúncio de "Desaparecido" e centenas de pessoas ligaram oferecendo solidariedade.

Para evitar ser o inocente útil nestas ações de exploração de imagem de menor, difamação, injúria e calúnia, não compartilhe e nem clique em coisa alguma que não tenha informações consistentes ou até a referência a algum site da Polícia.

Agora, se você quiser ganhar um carro novo, então curta aquela mensagem que virou moda no Facebook e que vem com esta promessa. Neste caso você não estará explorando imagens de crianças inocentes e nem criando constrangimento para quem nunca foi procurado e nem desapareceu. A única vítima será você, engodado por sua ganância e animado com a possibilidade de ganhar um carro sem nem mesmo comprar bilhete de rifa, mas só clicando em "Curtir". Mas quer um conselho? Compre antes um banquinho e espere sentado.


Um comentário:

Rose disse...

Eu vi esta informação num site:

A reportagem do Jornal Amorim esteve na manhã de ontem, 07, na APAE de Sombrio onde João Vitor de Medeiros Pereira estuda. O adolescente possui hidrocefalia e precisa urgentemente de uma cadeira de rodas pois há um ano é transportado em uma de madeira que já está prejudicando sua saúde (Conforme a matéria publicada na edição do última terça feira, 07, da página 08 do Jornal Amorim).
Na ocasião, o fisioterapeuta da instituição, Charles Borba, indicou um modelo próprio que poderá ser comprado para João Vitor caso alguém tiver interesse em doar. O modelo se chama Freedor Lumina LM e custa em torno de R$ 1.300,00 á R$ 1.500,00. Com esta cadeira o adolescente também poderá se locomover sozinho. “Ele tem condições físicas para se locomover sozinho. Ela é apropriada e muito confortável. Não é das mais modernas mas é a mais indicada” , explicou Charles.
A APAE fornece uma cadeira de rodas para o adolescente dentro da instituição. Durante o período de aula João utiliza a cadeira para todas as suas atividades. “Compramos a cadeira especialmente para portadores de necessidade igual ele realizarem suas atividades aqui dentro”, comenta o fisioterapeuta.
Uma cadeira já foi doada por um leitor, mas a sua estrutura não foi suficiente para atender as necessidades do adolescente. No entanto, ela foi encaminhada para o Lar do Idoso de Sombrio.
Funcionários de uma empresa estão vendo a possibilidade de arrecadar R$ 500,00 para a compra da cadeira de rodas de João Vitor. Quem tiver interesse em ajudar pode entrar em contato com a equipe do Jornal Amorim pelo fone 3553 2204.

http://www.jornalamorim.com.br/Comunidade/1103/Joao-Vitor-precisa-de-uma-cadeira-apropriada.html

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