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24/09/2016

Como a adoção destruiu a minha vida

Meu pai recebeu, via Facebook, um texto escrito por um pai de adoção que expressa bem o que sentem essas pessoas que adotam crianças cheias de problemas como eu. Há trinta anos ele e minha mãe me adotaram quando eu tinha quatro anos de idade. Com já contei aqui, sofro de paralisia cerebral, sou cego, não ando, não falo etc. Esta semana uma pessoa perguntou a meu pai o que ele fará quando estiver velho e doente demais para tomar conta de mim. Então ele começou explicando do começo para mostrar como será o fim.

08/05/2013

Mae de coracao

Meu pai leu uma matéria no G1 e decidiu postar aqui. É a história de um casal que já tinha quatro filhos biológicos quando decidiu adotar mais seis, todos com algum tipo de doença ou deficiência. Meu pai achou que o jornal deu uma puxadinha na sardinha para a brasa da mãe porque estamos na semana do Dia das Mães. Isto porque colocou o título "Mãe de coração, mulher adota quatro crianças deficientes no RN". Segundo ele, o título faria justiça se fosse "Pais de coração, casal adota quatro crianças deficientes no RN". Na minha opinião eu acho que meu pai está vendo pelo em ovo e chifre em cabeça de cavalo, porque o importante mesmo é o que este casal fez e não o título da matéria. A a história começa assim:

07/09/2012

Ate' breve, Cameron!

Meu pai viu no Facebook a notícia de um jovem como eu que ontem fez sua última viagem: foi se encontrar com Jesus, seu Salvador e Senhor. Ele era filho de Esther Collard, uma irmã em Cristo que mora lá nos Estados Unidos. Ano passado meu pai esteve lá e conheceu um dos filhos dela, O Jeremiah Brenton Collard, que nesta foto antiga aparece no colo dela e já crescido na segunda foto ao lado de Cameron.

09/05/2012

Para ingles ver

Que minha irmã escreveu um livro do qual eu sou o tema você já está cansado de saber. Mas o que você não sabe é que ela agora está traduzindo o livro para o inglês. Isso mesmo, para inglês ver! Agora que fiquei internacional acho que vou começar cobrar a visita ao meu blog em dólares... eh! eh! brincadeirinha....

19/09/2010

Afinal, quem adotou quem?!

Se você conhece minha história, não se impressione não. Existe muita gente como eu por aí, quero dizer, crianças que nasceram com algum defeito de fabricação e foram adotados por alguém. Quer ver? Então leia a matéria da Claudete de Oliveira no site Saci. Agora, para entender o título, você vai ter que ler aqui até o fim.

24/07/2010

Ideias malucas

É bacana como a Internet ajuda as pessoas a se encontrarem e compartilharem experiências semelhantes. Acho que isso até anima alguns, encoraja outros e dá idéias malucas para mais outros, como a de adotar alguém. Malucas mas excelentes, pois se não fosse assim onde eu estaria agora?

14/07/2010

Um é pouco, 2 é bom, 26 é um milagre

Quer dizer que você acha grande coisa alguém ter adotado uma criança especial como eu? Oras, isso não é nada. Café pequeno. Quer saber mesmo o que é adotar crianças? Então quero apresentar a você Rosemary J. Gwaltney e seus vinte e seis filhos.

10/05/2010

Um poema de amor

Hoje o que vai ler não fui eu quem escreveu (nem meu pai, o que dá no mesmo). É o texto de uma mãe para seu filho, adotivo como eu. Discutir se mãe é quem tem ou quem cria é que nem a história do ovo e da galinha. Eu acho que mãe é aquela que é... MÃE!

04/02/2010

Uma luta pela vida

Decidi dar uma palhinha aqui da nova edição do livro "Uma luta pela vida" escrito por minha irmã. O livro estava esgotado, mas agora apareceu de novo e pode ser comprado pela Internet. Se você ler o livro, nem vai precisar mais vir aqui para ler minha história... Estou brincando, claro!
Uma Luta Pela Vida
Lia Persona

O vôo 3805 proveniente de Brasília chegava no horário previsto e preparava-se para pousar. Do andar superior do aeroporto eu podia ver as luzes do avião se aproximando rapidamente. Com apenas seis anos de idade, esticava o quanto podia meu corpinho para enxergar melhor. Lembro-me de como as janelas do avião pareciam incrivelmente pequenas da distância onde eu me encontrava. Tive uma impressão ruim. Minha mente infantil tentava imaginar como seria possível alguém viajar dentro de um avião que parecia ser tão pequeno. Fiquei preocupada só de pensar no tamanho do irmão que meus pais diziam que eu estava prestes a ganhar. Seria do tamanho de minha boneca Barbie?

Senti um certo alívio quando o vi pela primeira vez alguns minutos mais tarde, saindo pelo portão de desembarque. Vinha nos braços de uma mulher que não me era estranha. Ela já tinha nos visitado em outras ocasiões, mas sua chegada nunca fora cercada de tanta expectativ. Maria parecia não precisar fazer muita força para manter aquele corpoinho franzino aninhado em seus braços. Se não fosse pela tosse constante, ele passaria desapercebido. Não pesava mais do que uma bolsa. Pequena.

Maria era a pessoa certa para trazer Pedro. Tinha uma experiência de vida bem peculiar. Adotara oito crianças, algumas com problemas de saúde. Tirou-o do local onde estava, cuidou dele o sufciente para aguentar uma viagem e o trouxe em segurança para nós.

Arregalei meus olhos o máximo que pude. Não queria perder um detalhe sequer daquele primeiro momento. Captei cada particularidade do corpo daquela criança que era passada para os braços da minha mãe. Ela não precisou carregá-lo nove meses antes de nascer. Estava carregando agora pela primeira vez. Um menino de quatro anos. Achei que ele não combinava com minha mãe. Não parecia ser seu filho.

Tudo era diferente nele. Diferente da aparência de meu irmão biológico Lucas e da minha. Seu cabelo volumoso, cacheado e escuro não se parecia em nada com os nossos poucos fios descorados e escorridos. Nem que eu ficasse um ano inteiro tomando sol não conseguiria ficar com a pele tão morena quanto a dele. Maria contou que ele era descendente de negros e índios. Imaginei seus avós caçando com arco e flecha como nos desenhos que eu pintava na escola no Dia do Índio.

Não tive tempo de prosseguir com minhas imaginações. Saímos rapidamente do aeroporto noite adentro andando em direção ao carro no estacionamento. Pedro precisava descansar. Cada vez que ouvia sua tosse, meu coração acelerava. Fiquei assustada com seu estado. Parecia estar muito doente.

Aquele momento ainda permanece em minha memória. Acalentado, embalado, com todo o cuidado, dia após dia, não por saudosismo ou melancolia. Simplesmente por carinho e respeito. Essas coisas a gente não esquece facilmente. Aquela noite mudou minha vida.

Na verdade, mudou a vida de toda minha família e também a vida daquele que chegou numa cegonha a jato. Chegou para ficar. Foi o dia em que um novo começo foi traçado e todo meu futuro mudou. Tomou um novo caminho, um novo rumo. Muito do que sou hoje devo àquilo que considero como uma das melhores experiências que já me ocorreu. Recebi de presente uma lição de vida real, que estaria sempre ali, bem diante de meus olhos e de onde iria tirar inspiração para cada dia, para todos os que meu futuro ainda me reserve. 

(continua no livro...)

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Uma Luta Pela Vida - Lia Persona

Em uma "Luta pela Vida" Lia Persona compartilha suas emoções e memórias como irmã e enfermeira de seu irmão adotivo portador de paralisia cerebral. A autora intercala seu passado com seu presente; história com realidade; a luta de seu irmão pela vida, com a luta de seus pacientes por suas vidas.

Concorrendo com mais de 650 obras inscritas, esse romance baseado em fatos reais, foi vencedor do Concurso Literário Anjos de Branco e escolhido por uma comissão formada pelos escritores Antonio Olinto, José Louzeiro e Arnaldo Niskier da Academia Brasileira de Letras. A primeira edição de "Uma Luta pela Vida" foi publicada como parte da Coleção Anjos de Branco que inclui os autores Antonio Olinto, José Louzeiro, Helena Parente Cunha, Carlos Nejar, Arnaldo Niskier, Marcos Santarrita, Patch Adams e Maureen Mylander.

Lia persona é enfermeira formada pela Unicamp e atualmente reside com seu marido e seu filho nos Estados Unidos. Se estiver interessado em entrar em contato com a autora envie seu email para nurselia@yahoo.com.br

30/01/2010

Cegonhas na Amazonia

Você não vai acreditar! Sabe essas coincidências incríveis que só acontecem uma vez na vida. Pois é, foi o que aconteceu. Se você leu minha história neste blog desde o começo ou leu o livro que minha irmã escreveu deve ter lido sobre a Maria. Quem é Maria?
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Bem, Maria era a amiga de meus pais que me descobriu abandonado num barraco em uma favela numa cidade no interior de Goiás. Minha avó, que cuidava de mim, tinha morrido e minha mãe natural não estava lá muito em condições de cuidar. Quando Maria contou para meus pais adotivos (é, eu adotei eles! Ah! Ah!) da minha situação, esta minha nova história começou.

Meus novos pais moravam em São Paulo e deram uma procuração para Maria e seu esposo Jaime cuidarem de representá-los diante do juiz da cidade onde eu estava. Isso foi em 1986, há muito tempo. Meus pais mudaram algumas vezes desde então, e seus amigos Maria e Jaime também. Acabaram perdendo contato e nunca mais se encontraram.

Quando o livro de minha irmã, "Uma luta pela vida", foi publicado, meu pai tentou localizar Maria e Jaime de todas as maneiras, mas não conseguiu. Ele queria enviar um livro para eles, já que Maria era citada em suas páginas. Isso foi em 2003. Não deu, então meu pai esqueceu. Mas sem esquecê-los.

Acontece que meu pai é palestrante, entre outras coisas, e semana passada fez uma palestra em Macapá, no Amapá. Lá em cima do mapa, em plena Amazônia, onde o Brasil vai ficando cada vez mais bonito até acabar em Oiapoque. Os organizadores do evento distribuíram pela cidade outdoors com a foto e o nome de meu pai bem grandes e...

Isso mesmo! Maria e Jaime estavam passando por Macapá a caminho de Oiapoque quando viram aquela carona enorme de meu pai olhando e sorrindo para eles do outdoor. Eles não acreditavam no que viam. Naquela noite puderam se encontrar na palestra e matar as saudades. Agora o livro de minha irmã vai indo pelo correio para o endereço deles que foram como uma segunda cegonha para mim. Não se assuste, eu não acredito em cegonhas. Mas que foram, isso foram!



Laços de Ternura: Compreendendo os Pais Adotivos
Luiz Schettini Filho


A adoção de filhos traz em si extraordinárias gratificações pessoais, como também apresenta algumas dificuldades peculiares. Aqui, o autor completa o trabalho que começou em Compreendendo o filho adotivo (já na 3ª edição) e aborda o tema do ponto de vista dos pais adotivos.
Trata-se de uma análise simples e objetiva de aspectos subjetivos e, no mais das vezes, complexos, da decisão de adotar.


Luiz Schettini Filho dedica-se ao acompanhamento psicoterápico de pais e filhos, desenvolvendo estudos e pesquisas sobre a psicologia da criança e do adolescente, que resultaram na publicação de 12 livros.

30/11/2009

Dia da adocao

Você sabia que existe um Dia da Adoção? Dia 25 de maio é o dia oficial, mas todos os dias deviam ser dias de adoção. Acha complicado demais adotar alguém? Hummm... não é não, e vou vou explicar porquê.

Fui adotado por uma família que simplesmente quis me adotar. Simples assim? Bem, nem tanto. Foi um processo todo e você pode ler em detalhes no livro que minha irmã escreveu, "Uma luta pela vida", ou na forma de conta-gotas nas coisas que vou contando aqui.

Algumas pessoas têm trauma de terem sido adotadas. Eu não. Meus irmãos nasceram sem terem sido escolhidos por meus novos pais. Algo como um acidente, né? Mas não diz pra eles não, para não ficarem chateados. Aqui entre nós, eu fui escolhido!

É, alguém me quis antes mesmo de me conhecer. E com todos esses probleminhas de funcionamento que você vê em meu corpo. Mas não precisa adotar assim para adotar alguém. Você pode adotar parte do seu tempo para visitar alguém ou parte de sua renda também.

Há organizações que criaram até uma adoção em que você envia um valor mensal para manter uma criança ou ajudar em seus estudos. Outro dia meu pai viu isso em um filme muito engraçado chamado As Confissões de Schmidt, com Jack Nicholson. Ele adota uma criança na África e no final... Bem, você me odiaria se eu contasse o final!

O Maurício de Souza, pai da Mônica e do Cebolinha, também adotou algumas outras crianças na forma de personagens. Tem o André, que é um garotinho autista que você pode conhecer em um Gibi, e em alguns filminhos na Internet: "Quero que você conheça o André", "Oi, galoto", "Dentuça, golducha", "Pelgunta plo Andlé", "Querem brincar de Siga o Mestre?" e "Quaaase normal".

O mesmo Maurício ainda vai adotar outros personagens em suas estórias, como uma menina cega chamada Dorinha e um menino paraplégico chamado Paralaminha, em homenagem ao Herbert Vianna, dos Paralamas, que ficou paraplégico após um acidente com ultra-leve. Viu como tem muitas maneiras de você adotar alguém e até pessoas portadoras de deficiências? Agora a bola está com você.

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