13/08/2018
26/05/2018
Deixe seus filhos em paz
Eu não sou nem de longe o que um pai ou uma mãe poderia considerar um filho desejado. Quem quer um filho espera que venha perfeito, sem defeitos, e melhor até que seus pais que o geraram. Isso impede, por exemplo, que crianças deficientes sejam adotadas por muitos, e até que mães descartem pelo aborto um filho indesejado por diferentes razões. Mas nem sempre os problemas dos filhos são de causas externas. Muitas vezes eles são culpa dos pais.
27/04/2018
Quando meu pai descobriu uma constelacao
Há uns dois meses a hérnia de disco de meu pai tem conversado com ele. Do jeito que está ele já pensa que seja hérnia de LP, porque a dor não é de um compacto simples. Deitado ou de pé não sente dor, mas abaixar para cuidar de mim é fazer curso de astronomia. E para quem não sabe, depois de minha visita ao trono eu exijo que alguém coloque de volta a fralda, calça e cueca, enquanto aguardo paciente de quatro no chão depois de descer do vaso. Multiplique pelo número de horas e meias do dia e você vai ter o total.
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13/04/2018
Quando demais é demasiado
Meu pai de vez em quando tem alguma boa ideia. Só de vez em quando. Já ouviu falar em "composite" ou compósito? Trata-se de um conceito inventado na produção de materiais melhores pela associação de materiais diferentes com diferentes qualidades. Por exemplo, os mongóis já usavam composite para fabricar seus arcos (embora eu acredite que nem Gengis Khan soubesse disso).
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31/01/2018
Ajudando a pagar pelas fraldas
Que meu pai tem um escorpião no bolso não é segredo pra ninguém. Mas quando se trata de investir em mim ele não faz economia, porém eu fico constrangido com o dinheiro que ele gasta comigo. Sabe como é, eu dificilmente acordo seco, e quando sonho que estou nadando o maremoto não fica só na fralda, mas vaza para o lençol, o forro do colchão e às vezes até o cobertor e o travesseiro, e eu estiver com minha poupança em cima deles. Mas como "pagar" por toda essa despesa? Meu pai, muito espertinho, parece ter encontrado a solução.
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24/12/2017
Meu pranto de Natal
Minha humildade e discrição nem sempre permitem que eu revele minha verdadeira profissão. Você já deve ter percebido que sou uma celebridade, mas deve estar se perguntando o que faço para ser assim. Não canto, não danço, não pinto, não bordo e nem sou algum guru ou empreendedor que manda foguetes ao espaço e os faz voltar de marcha-à-ré. Então qual é realmente a minha profissão?
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28/11/2017
Meu pai e' um preto de peito branco!
Quando éramos pequenos meu pai costumava brincar conosco de trava língua. Sabe como é, tipo "O rato roeu a roupa do rei de Roma" ou "Um tigre, dois tigres, três tigres". Tinha também uma difícil que meu avô ensinou, "Um ninho de mafagafos tinha três mafagafozinhos, quem desmafagafar o ninho será um grande desmafagafizador", mas nem me pergunte se mafagafo voa ou põe ovos.
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29/07/2017
Wolverine sou eu!
Ok, hoje é dia de você descobrir minha identidade secreta: Wolverine! Sim, aquele cara feroz de quem brotam garras feitas de lâminas de "Faca Ginsu", que corta tudo, exceto as "Meias Vivarina" que nos comerciais da TV prometiam nunca desfiar. Se olhar bem verá que ele até se parece comigo quando uso barba e músculos postiços.
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Hugh Jackman como Wolverine
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24/09/2016
Como a adoção destruiu a minha vida
Meu pai recebeu, via Facebook, um texto escrito por um pai de adoção que expressa bem o que sentem essas pessoas que adotam crianças cheias de problemas como eu. Há trinta anos ele e minha mãe me adotaram quando eu tinha quatro anos de idade. Com já contei aqui, sofro de paralisia cerebral, sou cego, não ando, não falo etc. Esta semana uma pessoa perguntou a meu pai o que ele fará quando estiver velho e doente demais para tomar conta de mim. Então ele começou explicando do começo para mostrar como será o fim.
12/09/2016
Meia evidencia de um delito
Sofro de paralisia cerebral, não enxergo (só vejo vultos), sou mudo e não sei caminhar. Mas engatinho pela casa, o que ajuda muito quem cuida de mim e evita que alguém precise fazer força para me carregar. Sozinho eu consigo me erguer e sentar-me na poltrona do meu quarto, no sofá na sala e na cadeira de rodas, mas nesta precisa ter alguém para segurar a cadeira para não mover.
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07/09/2016
E se meu pai tivesse nascido deficiente?
Nos tempos de faculdade meu pai desenhava retratos com grafite, e outro dia ele encontrou um ex-colega da república onde morava que disse ter emoldurado na sala o retrato de sua namorada na época, hoje esposa. Nem meu pai se lembrava mais de ter feito aquele e ele nem mesmo guardou algum dos retratos que fez. Nunca mais desenhou e acabou transferindo suas ideias para os textos. Mas para meu pai era fácil desenhar (embora ele não fosse tão bom nisso, mas só aqui entre nós, ok?) porque ele nasceu com cabeça, corpo e membros do jeito que devem ser. Mas e se ele tivesse nascido... sem o antebraço?!
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18/07/2016
Tire as criancas da sala... e saia voce tambem!
https://youtu.be/IocLkk3aYlk
O que tem o vídeo acima a ver com o que vou dizer? Já, já você vai entender. Meu pai costuma ler sobre um filme antes de assisti-lo. Com isso ele se livra de problemas e desilusões, além da perda de tempo de esperar que um filme melhore até o último minuto. Alguns ele nem precisa ver comentários porque já sabe que deve evitar. Outros são verdadeiras armadilhas diabólicas e mortais para a mente e coração de quem não conhece a vontade de Deus para sua vida. É o caso aqui.
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23/06/2016
Lily Allen - Somewhere Only We Know
Sabe que eu acho que meu pai é mais esperto do que parece? Já contei para você que passo o dia ouvindo música. Começa com uma série de hinos orquestrados bem calmos cedo de manhã em um player que fica em meu quarto, os quais voltam a tocar à noite para eu não ficar muito agitado. Mas durante o dia meu pai coloca meu rádio na "Antena 1 FM" e aí a coisa começa a sacudir, porque eu gosto mesmo é de agito.
Também gosto de alguma coisa lenta que toca no rádio e meu pai já percebeu minha música preferida. É só o pianinho começar a fazer o plim-plim-plim da introdução e eu já começo me agitar todo e fazer "Hum! Hum! Hum!" que é meu vocabulário que significa alegria, tristeza, raiva, qualquer coisa. Mas no caso desta música é alegria mesmo e meu pai logo percebeu. Então ele está postando aqui "Lily Allen - Somewhere Only We Know". Não, não é propaganda da Vivo.
Lily Allen - Somewhere Only We Know
https://youtu.be/mer6X7nOY_o
Também gosto de alguma coisa lenta que toca no rádio e meu pai já percebeu minha música preferida. É só o pianinho começar a fazer o plim-plim-plim da introdução e eu já começo me agitar todo e fazer "Hum! Hum! Hum!" que é meu vocabulário que significa alegria, tristeza, raiva, qualquer coisa. Mas no caso desta música é alegria mesmo e meu pai logo percebeu. Então ele está postando aqui "Lily Allen - Somewhere Only We Know". Não, não é propaganda da Vivo.
Lily Allen - Somewhere Only We Know
https://youtu.be/mer6X7nOY_o
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11/02/2016
Minha agenda com Adele, Alicia Keys e outras celebridades
Você deve estar morrendo de curiosidade para saber minha agenda, não está? Ok, mesmo assim contar. Primeiro eu acordo, porque antes eu estava dormindo. Chuto literalmente o balde, só que é baldinho bem pequenininho que meu pai coloca na porta de meu quarto, uma latinha dessas de medida de cozinha sobre um tubo vazio de "Gelol". Como assim? Bem, minha cama é no nível do chão para eu não cair, então eu acordo e saio engatinhando rumo ao banheiro e ao passar pela porta... "BLÉIM!". O barulho faz meu pai acordar ou sair do computador para me ajudar no banheiro. Lá eu faço o que precisa ser feito, mas geralmente já comecei a fazer na fralda um tempo antes.
02/02/2016
Acaso sou eu guardador de meu irmão?
https://youtu.be/JZ3VeMb4sKQ
O vírus Zika está deixando todo mundo de cabelo em pé! A coisa é muito séria, porque um mosquitinho pequenininho pode de repente mudar toda a história de uma família. Imagine a terrível surpresa para os pais descobrirem que seu filhinho tão esperado pode nascer deficiente. Meu pai escreveu um texto e gravou um vídeo sobre o assunto, mas é um alerta sobre as "soluções" que já começam a aparecer por aí, todas elas com um ar de coisa de gente que não teme a Deus. Com a palavra, meu pai.
21/01/2014
Meu filho autista sera' salvo?
Hoje estou com preguiça de escrever (brincadeirinha, quem escreve é sempre meu pai) por isso vou colar aqui o que ele e o César Ferreira responderam a um pai que perguntou se o seu próprio filho autista seria salvo e iria para o céu. Aqui vai o que meu pai respondeu:
Você escreveu contando que tem um filho autista, com Síndrome de Asperger, e que apesar de ensinar a ele as coisas de Deus sua deficiência o impede de entender coisas abstratas, como Deus e salvação. Mesmo as coisas tangíveis são ensinadas a muito custo em função das limitações de sua mente. Tudo o que você deseja é a salvação de seu filho e tem orado por isso, sempre se perguntando: “Será que meu filho será salvo?”.
Você escreveu contando que tem um filho autista, com Síndrome de Asperger, e que apesar de ensinar a ele as coisas de Deus sua deficiência o impede de entender coisas abstratas, como Deus e salvação. Mesmo as coisas tangíveis são ensinadas a muito custo em função das limitações de sua mente. Tudo o que você deseja é a salvação de seu filho e tem orado por isso, sempre se perguntando: “Será que meu filho será salvo?”.
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Terapia ABA
07/11/2013
Eu era castor e nao sabia...
Esta semana meu pai viu um filme muito estranho. Ele até pensou que fosse uma comédia, mas não era. O filme era triste e deprimente porque mostrava um caso de loucura. Você conhece o Mel Gibson? Não, pessoalmente não, de filme. Conhece? Ele não tem cara de louco? Em todo filme dele o personagem dele tem um pouco de louco. Neste ele pirou de vez.
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Um novo despertar
09/08/2013
Defletor de urina
Depois de ler este texto e mais este você achou que eu nunca iria terminar minha história e explicar o que foi mesmo que meu pai inventou, não é mesmo? Se não leu as outras, clique nos links acima e leia para entender. Chegamos agora ao "defletor de urina" e se você não sabe o que é defletor pense no quebra-vento de seu carro, se ele for dos antigos porque nos novos nem existe mais. Sua função é manter o vento do lado de fora, e no caso do defletor de meu pai a intenção é manter a urina do lado de dentro.
08/08/2013
O caso da fralda invertida
Se você leu a história desde o começo (Clique aqui se não leu) já sabe que meu pai é inventor de invenções mambembes, tipo minha cama de chão e o "sensor de movimento" feito com copo descartável. Mas é assim que deve ser: quem cuida de deficientes precisa estar atento às possibilidades de melhorar a vida do deficiente e do cuidador. E é aí que entra o "defletor de urina" que meu pai inventou. Mas antes quero falar da fralda descartável.
07/08/2013
Meu pai inventor
Já contei que meu pai é inventor? Não desses malucos, só um pouco. Também nunca inventou nada que tenha patenteado para ficar milionário. Mas ele sempre tenta descobrir uma maneira de facilitar minha vida, e por tabela, a dele também. Como o sensor de movimento com alarme que criou para me proteger.
17/06/2013
Quarto, Doce Quarto
Meu pai ainda está aprendendo. Depois de 27 anos tendo o prazer de minha simpática companhia só agora ele entendeu uma coisa que eu sempre entendi, só não falava porque não falo: gosto do meu quarto. Ele achava que eu ficava melhor na sala, que é ampla e tem música e TV. Então sempre me colocava ali durante o dia ouvindo jazz e à noite ficava ao meu lado para ver TV. Eu pacientemente suportava isso.
15/05/2013
Somos todos diferentes
Ontem meu pai viu um filme muito bonito no Youtube, mas não entendeu quase nada do que os artistas falavam. Às vezes eles falavam indiano, mas às vezes falavam "indianês", uma mistura de indiano com inglês, do jeito que vejo meu pai falar "portunhol" achando que está falando espanhol. Como todo filme indiano, você não vai escapar de ver um bocado de música, mas acho que só teve uma dança. Acho que indiano é como brasileiro, gosta de dançar. Meu pai também deve gostar, porque ele costuma dizer que em muitas coisas que fez na vida ele dançou.
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08/05/2013
Mae de coracao
Meu pai leu uma matéria no G1 e decidiu postar aqui. É a história de um casal que já tinha quatro filhos biológicos quando decidiu adotar mais seis, todos com algum tipo de doença ou deficiência. Meu pai achou que o jornal deu uma puxadinha na sardinha para a brasa da mãe porque estamos na semana do Dia das Mães. Isto porque colocou o título "Mãe de coração, mulher adota quatro crianças deficientes no RN". Segundo ele, o título faria justiça se fosse "Pais de coração, casal adota quatro crianças deficientes no RN". Na minha opinião eu acho que meu pai está vendo pelo em ovo e chifre em cabeça de cavalo, porque o importante mesmo é o que este casal fez e não o título da matéria. A a história começa assim:
29/04/2013
A hora do espanto!
É, pessoal, eu estou mesmo ficando velho! Já sou tio em primeiro grau de dois meninos, o Luke e o Mark, filhos de minha irmã. Sou tio em segundo grau do filho de minha prima Patrícia e da filha de meu primo Breno. Agora nasceu mais uma sobrinha de segundo grau, filha de meu primo Breno. É a Alice.
15/04/2013
Ganhei um presente caro de aniversario!
Hoje é meu aniversário. Enquanto meu pai escreve este blog para mim ele come um pedaço do bolo de fubá que a cozinheira fez, acompanhado de uma caneca de Nescafé adoçado com "Doce de Leite Viçosa" sabor chocolate. Ele não é nem um pouco bobo, não é mesmo? Adivinha quem escolheu o bolo? Foi ele, porque eu não sei falar.
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04/04/2013
Exploracao de deficientes
Sabia que você pode ter participado da exploração de deficientes? Seria péssimo descobrir que fez isto, não é mesmo? E se você for convidado para colaborar na exploração da imagem de uma criança com má formação? Não aceitaria? Mas talvez você já tenha sido um dos culpados por infernizar a vida de algum cidadão que agora corre o risco de ser linchado se for reconhecido na rua. Ou precisou mudar de telefone por não aguentar mais receber chamadas no meio da noite. Como é que você poderia ter feito tudo isso? Eu explico.
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03/04/2013
Semana do Autismo
Esta semana é comemorado o dia do autismo, uma data para ajudar as pessoas a se familiarizarem com quem é autista. Então é bom você começar a se familiarizar comigo porque acho que sou um pouquinho disso também. É claro que no pacote tenho outras coisinhas, como paralisia cerebral, mas a primeira coisa que perceberam em mim era um comportamento singular.
23/03/2013
O enigma das vagas para deficientes
Outro dia fui passear com meus pais e meu irmão Lucas, que passou por aqui numa escala vindo da Europa rumo aos Estados Unidos, onde ele mora. Mas não pense que ele é turista não. Ele viaja um bocado a trabalho, mas quando passa pelo Brasil não se esquece de me visitar.
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06/01/2013
Ele nao e' pesado, ele e' meu irmao
Minha irmã postou uma foto de meus sobrinhos no Facebook e meu pai viu e logo pensou numa música "He ain't heavy, he is my brother" ("Ele não é pesado, ele é meu irmão"). Meu pai gostou tanto da foto (afinal, são os netinhos queridos dele!) e da música que logo fez uma imagem com a foto e a letra.
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08/12/2012
A verdadeira historia do Natal
Vou contar uma outra história de Natal, mas prepare-se porque é uma história diferente. Não é cheia de estrelinhas cantantes e pastorzinhos saltitantes como em presépio, nem tem fadas e duendes ajudando o Papai Noel, como em Shopping, mas é a verdadeira história do Natal.
07/09/2012
Ate' breve, Cameron!
Meu pai viu no Facebook a notícia de um jovem como eu que ontem fez sua última viagem: foi se encontrar com Jesus, seu Salvador e Senhor. Ele era filho de Esther Collard, uma irmã em Cristo que mora lá nos Estados Unidos. Ano passado meu pai esteve lá e conheceu um dos filhos dela, O Jeremiah Brenton Collard, que nesta foto antiga aparece no colo dela e já crescido na segunda foto ao lado de Cameron.
13/08/2012
Dentro de alguns minutos pousaremos...
Alguém escreveu no Facebook: "Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro". Acho que todos deveriam fazer essa conta. O problema é que nunca sabemos se a segunda metade da vida será do mesmo tamanho da primeira.
03/08/2012
O que voce e', filho ou empregado?
O que você é, um filho ou um empregado? Um filho adotivo é aquele que passou a fazer parte da família do pai sem esforço algum de si próprio ou sem merecer isso. Ao ser adotado com direitos plenos, ele passa a ser herdeiro de tudo o que é de seu pai.
Um empregado é aquele que só espera receber algo se trabalhar. Ele precisa fazer para merecer.
Um empregado é aquele que só espera receber algo se trabalhar. Ele precisa fazer para merecer.
26/06/2012
Artistas eficientes
Será que é errado piratear? Sim, mas acho que o que vou fazer aqui não é exatamente uma cópia pirata, mas simplesmente uma promoção. Meu pai entrou no site da Associação dos Pintores com a Boca e os Pés e achou tão legal o trabalho que fazem lá que decidiu colar aqui os artistas e suas biografias. E eu deixei. Alguns nomes têm links para páginas com mais informações sobre os artistas e seus trabalhos. Outros podem ser acessados entrando em contato com a Associação.
19/05/2012
Censibilidade ou sensibilidade?
Já sei, você vai dizer que "censibilidade" não existe e que o correto é "sensibilidade", certo? Pois é, mas como você chamaria a capacidade de alguém que trabalha no censo, contando e pesquisando a população? Isso mesmo, aquele que censeia no censo ou recenseia no recenseamento? Então, se a palavra censibilidade não existe eu acabei de inventar. Porque tem gente que é censível demais, isto é, só se importa com números!
09/05/2012
Para ingles ver
Que minha irmã escreveu um livro do qual eu sou o tema você já está cansado de saber. Mas o que você não sabe é que ela agora está traduzindo o livro para o inglês. Isso mesmo, para inglês ver! Agora que fiquei internacional acho que vou começar cobrar a visita ao meu blog em dólares... eh! eh! brincadeirinha....
09/04/2012
Nao confie em ninguem com menos de trinta anos
Gente, dá pra imaginar que eu vou virar o mostrador de quilometragem e entrar nos "inta"? Isso mesmo, "inta" de trinta! Depois disso só vou para os "enta" quando fizer quarenta, e então eu empato com meu pai. É que ele já está nos "enta" a um bocado de tempo e só deve sair quando fizer cem anos de idade.
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25/02/2012
Bolo de primeira viagem
Meu pai já fez muitas coisas na vida, mas hoje ele acordou teimando que nunca tinha feito um bolo. Bem, se você levar em conta a péssima memória de meu pai, ele pode até ter trabalhado em confeitaria e não se lembrar. Eu fiz de conta que acreditei que este seria seu bolo de primeira viagem e fiquei na minha.
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09/02/2012
Nos aos montes
Estou até emocionado com tanta solidariedade! Depois de contar aqui que meu pai estava decidido a dar um nó no cordão de minha bermuda, para evitar que eu tirasse tudo à noite e acordasse de vento a favor, recebi até um manual de nós. Não de mim, meu pai, você etc., mas de como desatar nós. O Itamar Dias, de Catalão, GO, escreveu um verdadeiro tratado sobre nós. Não sobre eu e o Itamar, mas nós de amarrar e desamarrar. Portanto, se quiser saber mais sobre nós (não eu e você), continue lendo.
06/02/2012
Ai, que calor!
Nas três últimas noites passei muito calor, apesar do ventilador ligado. Então tive uma ideia que me refrescou bastante e pude dormir tranquilo, mas meu pai não gostou nem um pouco e ainda levei bronca.
15/12/2011
O mundo sem ninguem. A casa da vovo' tambem.
Hoje meu pai saiu para fazer uma de suas raras caminhadas e descobriu que a cidade cresceu. Pelo menos foi a sensação dele, pois os lugares aonde ele costumava ir caminhando sem se cansar agora parecem estar bem mais longe.
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07/12/2011
Show de choro
Meu pai adora sofrer. Como eu sei? Pelos programas de TV que gosta de ver. Ele não gosta de filme de pancadaria, high-school ou vampiros. Ele gosta mesmo de programa que faz chorar, seja filme, seja show. O importante é ter choro.
05/11/2011
Gente que faz acontecer
Meu avô costumava contar a história de um empregado que ele teve, o qual tinha um irmão que perdeu as duas pernas vítima da diabete. Para dar banho no irmão o homem o colocava em uma cadeira de ferro e arrastava a cadeira no banheiro por não ter condições de comprar uma cadeira de banho. Aquilo inspirou meu avô, na época aposentado, a fazer cadeiras de rodas na oficina do quintal e dar para pessoas necessitadas.
15/08/2011
O Dia dos Pais de meu pai
Meu pai aproveitou o Dia dos Pais para fazer uma faxina na estante do escritório. Mas como ele é muito curioso, a cada minuto parava para ver alguma coisa que encontrava em meio às toneladas de papel de apostilas de cursos e congressos que ia colocando no "cesto arquivo".
08/07/2011
Pessoas que ajudam, pessoas que atrapalham
Você já deve ter ouvido falar de um montão de gente que ajuda portadores de deficiência. É, tem muita gente bacana por aí, que faz alguma coisa diretamente para alguém com necessidades especiais ou que já ajuda muito respeitando, visitando ou incentivando o progresso de garotos e garotas como eu.

07/06/2011
Dia dos enamorados
Isso mesmo. Não escrevi errado não. É que não tenho namorada e pode ser que você não tenha namorado. Espere. Não estou insinuando nada não, só porque está chegando o DIA DOS NAMORADOS. É que inventei um dia para quem vive enamorado sem ter namorada ou namorado.

08/05/2011
Ser filho e'...
Estamos acostumados a ler e a ouvir mensagens que falam o que é ser mãe. Mas o que é ser filho?
19/04/2011
O ovo de Jeremias
Nesta época do ano é impossível meu pai não se lembrar do Daniel, quando vai ao supermercado. Danielzinho foi morar com Jesus em 1998, depois de ficar doente por alguns anos. Ele era fã de videogames e, um dia, ao entrar com sua mãe em um desses túneis de ovos de Páscoa num supermercado, olhou para a mãe e disse radiante: "Mamãe! Passamos de fase!"
16/04/2011
I'm OK
Acho que todo mundo ainda está chocado com a barbaridade cometida por um monstro assassino numa escola do Rio, não é mesmo? Coisa feia, gente! Nessas horas todo mundo fica discutindo o que causou aquilo, e as apostas estão altas nessa palavrinha inglesa que parece lugar de guardar café: bullying.
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08/04/2011
Pronta para morrer
Hoje tem muita gente triste. Pais, amigos, irmãos, professoras... todo mundo perdeu algum amiguinho ou amiguinha na escola lá no Rio. Eu nem preciso descrever o que aconteceu lá, porque está em todos os jornais. O que não está em todos os jornais é por que algumas pessoas fazem coisas tão horríveis. Quando aconteceu o massacre naquela escola americana há mais de 10 anos, meu pai escreveu sobre uma das meninas que morreram. Vou copiar o que ele escreveu.
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realengo
24/03/2011
Exoesqueletos
Eu tenho um certo grau de paralisia cerebral, mas não tenho paralisia nos membros. Enquanto meu cérebro é de certo modo "paralítico", meus membros sofrem apenas de problemas de atrofia e também de coordenação motora, que é uma consequência da paralisia cerebral.
14/03/2011
DEScontrole de qualidade
Já contei para você que meu pai é palestrante? Que faz palestras e treinamentos de um monte de temas, inclusive qualidade no atendimento ao cliente? Não se preocupe não, isso não é propaganda dele... bem só um pouquinho. Mas tem tudo a ver com o que eu quero contar.

10/03/2011
Fonte da juventude
Outro dia contei a história de meu pai em Nova Iorque. Você não leu?!! Então leia neste link, porque o assunto é parecido. Só que desta vez aconteceu em outra cidade, quase tão famosa quanto New York. Estou falando de Limeira, a cidade onde eu moro.
05/03/2011
New York, New York
Quando o Frank Sinatra cantava de New York, "If I can make it there, I'll make it anywhere" ("Se eu puder fazer ali, farei em qualquer lugar"), ele não estava pensando em coisa errada, né?
17/02/2011
Depende do ponto de vista
Meu pai anda super ocupado e meu blog fica às moscas. Ou seria às traças? Tudo bem, você entendeu o que eu quis dizer. Eu sei que ele está sempre correndo de lá para cá, que para atender seus compromissos está fazendo das tripas coração. Só me preocupa se ele fizer do coração tripas. Aí a coisa enrosca.

06/02/2011
A inutilidade da infancia
Meu pai recebeu de alguém a indicação para ler um texto do Rubem Alves. É, esse mesmo, você já ouviu falar. O homem escreve que é uma barbaridade de bom. É uma crônica falando da inutilidade da infância e, de tabela, da inutilidade de pessoas como eu.

04/01/2011
O que voce faria comigo?
Outro dia meu pai assistiu "A Casa Caiu", com Steve Martin. O ator faz o papel de um advogado que conhece uma mulher na Internet e a convida para jantar em sua casa. Só que, quando ela chega, não é nada do que ele esperava! A dona é uma presidiária que fugiu e o advogado quer mais é se livrar dela. E eu? O que você faria comigo?
13/12/2010
Medroso! Medroso! Medroso!...
Meu pai é um medroso. Só pode ser. Perder uma oportunidade dessas?! Ah, eu conto, sim, vou contar, quero contar! Sabe o que? Que meu pai foi dar uma palestra em Foz do Iguaçu e encontrou lá o Osmar Santos expondo seus quadros. Encontrou é modo de dizer. Sabe o que aconteceu? Nada.

26/11/2010
Vida agridoce
Estou de volta. Não sem deixar à mostra as marcas dos pedaços, porque é assim que a gente faz. Vai juntando os pedacinhos, reconstruindo, passando uma colinha aqui, uma fita crepe ali, um cimentinho acolá... É um monta e desmonta, porque a vida é agridoce.
09/11/2010
Um dia diferente
O dia 16 de fevereiro de 2005, foi diferente. Um dia desses que ficam bem marcadinhos na memória da gente, um dia de alegria e tristeza. Foi nesse dia que vovó fez a viagem que ela mais queria e aguardava com alegria. Foi nesse dia que uma triste saudade nos invadiu, mesmo sabendo que não seria um "adeus", mas um "até breve". Foi nesse dia que a vovó foi para o céu.
25/10/2010
Invalidez
Geralmente pessoas como eu são chamadas de inválidas. Mas o que é um inválido? Alguém que não vale nada? Ou alguém que não vale para certas coisas, mas vale para outras? Bem, neste sentido somos todos inválidos, porque sempre temos algum tipo de deficiência. Meu pai encontrou um texto muito bom sobre invalidez e vou deixar ele postar aqui. É, de vez em quando eu faço algum favor para ele...
20/10/2010
Agora tenho uma marca pessoal
Você tem uma marca? Eu tenho. Ganhei esta semana e agora estou parecendo até produto de luxo, desses que têm marca. Bem, mas não é exatamente a marca que você está pensando...
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02/10/2010
Quantas estrelas existem? E qual o nome delas?
Até parece brincadeira perguntar isso, não é mesmo? Mas estou falando sério. Você não é um que quer ter respostas para tudo? Eu também, então vamos tentar responder esta. Mas lembre-se: a resposta deve incluir também o nome de cada estrelinha que pisca lá em cima. E as que não piscam também.
19/09/2010
Afinal, quem adotou quem?!
Se você conhece minha história, não se impressione não. Existe muita gente como eu por aí, quero dizer, crianças que nasceram com algum defeito de fabricação e foram adotados por alguém. Quer ver? Então leia a matéria da Claudete de Oliveira no site Saci. Agora, para entender o título, você vai ter que ler aqui até o fim.
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07/09/2010
Os desapontamentos da vida
Hoje decidi colocar uma mensagem diferente. Talvez não seja para você, que está com tudo em cima, numa boa, com muito dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender. Mas pode servir para aquele que está de luto, num leito de hospital ou tendo que aprender a pilotar uma cadeira de rodas, que precisa reaprender a viver sozinho em um lar desfeito, solteira com um bebê na barriga e nenhum saldo no banco... Oras, você sabe muito bem o que tem de gente sofrendo por aí. Tem um bocado de gente amarrotada por aí.
26/08/2010
Estou triste de tao contente que estou
Minha irmã ganhou mais um bebê há três meses. Com dois meninos em casa eu acho que agora só faltam 9 para ela completar um time de futebol. A menos que também queira providenciar técnico, massagista, juiz e o time adversário... Para comemorar vou republicar aqui o que escrevi há alguns anos, quando ela se casou e eu fiquei triste e contente ao mesmo tempo.
29/07/2010
Duas noticias: uma boa, outra ruim
Oi gente, estou de volta com duas notícias: uma boa, outra ruim. Demorei para voltar aqui, né? Reclame com meu pai. Já estou até pensando em contratar outro redator, menos ocupado. Mas, tudo bem, desta vez passa.
24/07/2010
Ideias malucas
É bacana como a Internet ajuda as pessoas a se encontrarem e compartilharem experiências semelhantes. Acho que isso até anima alguns, encoraja outros e dá idéias malucas para mais outros, como a de adotar alguém. Malucas mas excelentes, pois se não fosse assim onde eu estaria agora?
19/07/2010
E se nao existisse dor?
Já pensou que legal? Você poderia cair à vontade, se cortar, fazer qualquer coisa e nem sentiria qualquer dor. Dores de cabeça? Nada disso. Dor de dente? Pode esquecer. Sem dor a vida seria uma maravilha, não é?
14/07/2010
Um é pouco, 2 é bom, 26 é um milagre
Quer dizer que você acha grande coisa alguém ter adotado uma criança especial como eu? Oras, isso não é nada. Café pequeno. Quer saber mesmo o que é adotar crianças? Então quero apresentar a você Rosemary J. Gwaltney e seus vinte e seis filhos.
09/07/2010
Penso, logo... envio e-mail!
Se você já passou por aquela experiência de enviar um e-mail sem pensar, fique sabendo que agora é possível enviar e-mail só pensando. Não acredita? Então leia a notícia.
05/07/2010
Dia dos paes
Não é dia dos pães de padeiro não. É dia dos pães, e vou explicar que pães são esses. Tem Dia dos Namorados, Dia dos Pais, Dia das Mães, Dia das Crianças, Dia do Professor, Dia do Médico, Dia do Aviador, Dia do Dentista, Dia do Músico, Dia das Bruxas. Puxa! Tem até Dia das Bruxas e não tem Dia dos Pães? Pois então acabo de decretar o Dia dos Pães!
01/07/2010
Mouse de olho
Pois é, gente. Inventaram um mouse diferente, para ser usado com o olho e especialmente indicado para portadores de tetraplegia e outras lesões que impedem os movimentos. Foi um brasileiro quem inventou o tal mouse para o olho.
29/06/2010
Traidor! Traidor!
Outro dia meu pai apareceu com um montão de presentes. Tudo roupa - camisetas, camisa Polo e uma calça de moletom. Como ele é super mão-de-vaca, aproveitou que estava em um supermercado para jogar no carrinho tudo o que estava em liquidação. Até aí tudo bem, eu até me sujeito a vestir etiqueta marca SS - Saldão de Supermercado. Mas traição, isso não!
25/06/2010
Sozinho
Eu me lembro da noite em que dormi só. Meu irmão tinha se mudado para onde trabalhava para evitar viagens. Ele viajava todos os dias e o trânsito estava ficando perigoso demais. Então alugou um apartamento e levou suas coisas para lá. A partir daquele dia o quarto ficou sendo só meu e dormi só.
20/06/2010
Cof! Atchim! Prrrrruuuuuu....!
Gente, que tosse! Há mais de uma semana estou tossindo assim, "Cóf! Cóf! Cóf!". Também pudera, com esse ar seco não há pulmão que resista. O meu deve ter um quilo de poeira preso lá. Ganhei até um presente por conta disso!
15/06/2010
Exemplo de super-ação
"Na verdade, cheguei até aqui porque tenho algo que muitos deficientes não têm: apoio da família. Sempre me ensinaram a não supervalorizar minhas limitações e explorar minhas capacidades". Sabe quem disse isso? O Eduardo Purper. Mas quem é o Eduardo afinal?
10/06/2010
Sera que morri e ninguem me avisou?
Meu pai levou um susto hoje quando abriu sua caixa de e-mail. Até agora já são quatro mensagens que deixaram ele com um big de um ponto de interrogação na cabeça. Será que é por isso que ele está tomando meu pulso de cinco em cinco minutos?!!
06/06/2010
Quando I Bambini Fanno Oh!
Meu pai voltava de São Paulo escutando a Rádio Antena 1 quando tocou uma música italiana. Ele ficou tão encantado que não tirou mais a música da cabeça. Depois que chegou em casa ficou procurando na Internet, e nada. O jeito foi mandar um e-mail para a rádio.
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03/06/2010
Personal coach
Não sei o que meu pai faria sem mim. Agora inventou mais uma: me contratou para personal coach. Chique, né? De vez em quando ele costuma fazer caminhada. Bem, vamos ser honestos: de vez em nunca. A caminhada dele é igual ao regime, sempre promete começar na próxima semana. Agora que a prefeitura construiu um local para caminhadas, ele já ficou sem uma de suas desculpas.
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24/05/2010
Os melhores corredores do mundo
Tenho um palpite de quais atletas serão os melhores em corrida nas próximas Olimpíadas. Vai por mim, eu entendo dessas coisas. Quando saírem os resultados dos melhores tempos, os que correram mais serão os homens. Verdade, e isso não é machismo não, muito pelo contrário.
20/05/2010
O governo! O governo!
Quando meu pai passeia pelos comentários deixados em meu blog e também em outros blogs de portadores de deficiência ou sobre adoção, ele encontra um certo padrão. Geralmente são pessoas que contam ter o mesmo problema e que é bom saberem que há outros passando pelas mesmas dificuldades.
16/05/2010
Aplicativo iPhone para pessoas especiais
Meu pai ainda não tem um iPhone porque ele morre de medo do escorpião que carrega no bolso. Mas bem que ele gostaria de ter um, mas se eu bem conheço meu pai isso só vai acontecer no dia em que o iPhone estiver obsoleto.
12/05/2010
Som na cabeca
Foi por um triz. Adoro ouvir música, se deixarem fico o dia todo. Mas não sou tão fanático assim que queira levar alguns quilos de som na cabeça. Foi o que quase aconteceu com essa minha mania de agarrar as coisas.
10/05/2010
Um poema de amor
Hoje o que vai ler não fui eu quem escreveu (nem meu pai, o que dá no mesmo). É o texto de uma mãe para seu filho, adotivo como eu. Discutir se mãe é quem tem ou quem cria é que nem a história do ovo e da galinha. Eu acho que mãe é aquela que é... MÃE!
03/05/2010
Amputados vencedores
Meu pai foi fazer uma palestra em Aracaju e reencontrou um amigo que conheceu há alguns anos em Londrina. O nome dele é Flávio Peralta e ele estava lá com sua esposa Jane. Quem é o Flávio?
14/04/2010
Paraolimpiadas
Você já deve ter ouvido falar nas paraolimpíadas, que muita gente acha até mais significativas do que as próprias olimpíadas. É que ali sempre é quebrado o maior dos recordes: a superação de obstáculos que são muito mais visíveis e próximos de nós em nosso dia-a-dia.
09/04/2010
Portadores de Deficiência na CBN
Meu pai estava viajando e ouviu no rádio uma entrevista da CBN sobre portadores de deficiências. Muito legal a entrevista conduzida por Carlos Sardenberg.
wink
Já foram ao ar duas entrevistas sobre o tema, uma com Steven Dubner, presidente da Associação Desportiva para Deficientes (ADD) e outra com Paulo Eduardo Chieffi, o Pauê, que teve as duas pernas amputadas em um acidente e pratica triatlon e surfe.
Uma informação interessante é que já são mais de 25 milhões de brasileiros portadores de algum tipo de deficiência, o que, segundo um dos entrevistados, cria um universo de 125 milhões de pessoas entre portadores e familiares. Já pensou o mercado que existe para isso? Produtos dirigidos a portadores de deficiência que poderiam facilitar suas vidas e de seus familiares?
Como o Brasil tem 179 milhões de habitantes, estamos falando em 70% da população do país em contato direto com os problemas relacionados a deficiência. São parentes e amigos próximos que convivem todos os dias com as dificuldades que temos de nos locomover, enxergar, ouvir, comer ou trabalhar. Foi legal um dos entrevistados dizer que os verdadeiros merecedores de prêmios olímpicos são aqueles que saem de cadeira de rodas todos os dias para uma corrida de obstáculos até o trabalho.
Agora vou dizer uma coisa: Eu não acredito que apenas 30% da população esteja construindo calçadas com degraus, deixando carros sobre calçadas ou estacionando em vagas para deficientes, instalando orelhões que machucam cegos*, caçoando ou negligenciando e sentindo-se alheio a tudo isso. Você acredita?
*P.S. Os orelhões têm grande dimensão na altura do rosto, porém apenas um cano para sustentá-los na área onde normalmente a bengala do cego procura por obstáculos. Por isso há muitos acidentes, pois quando a bengala não detecta o cano, o cego bate com o rosto no orelhão.
wink
Já foram ao ar duas entrevistas sobre o tema, uma com Steven Dubner, presidente da Associação Desportiva para Deficientes (ADD) e outra com Paulo Eduardo Chieffi, o Pauê, que teve as duas pernas amputadas em um acidente e pratica triatlon e surfe.
Uma informação interessante é que já são mais de 25 milhões de brasileiros portadores de algum tipo de deficiência, o que, segundo um dos entrevistados, cria um universo de 125 milhões de pessoas entre portadores e familiares. Já pensou o mercado que existe para isso? Produtos dirigidos a portadores de deficiência que poderiam facilitar suas vidas e de seus familiares?
Como o Brasil tem 179 milhões de habitantes, estamos falando em 70% da população do país em contato direto com os problemas relacionados a deficiência. São parentes e amigos próximos que convivem todos os dias com as dificuldades que temos de nos locomover, enxergar, ouvir, comer ou trabalhar. Foi legal um dos entrevistados dizer que os verdadeiros merecedores de prêmios olímpicos são aqueles que saem de cadeira de rodas todos os dias para uma corrida de obstáculos até o trabalho.
Agora vou dizer uma coisa: Eu não acredito que apenas 30% da população esteja construindo calçadas com degraus, deixando carros sobre calçadas ou estacionando em vagas para deficientes, instalando orelhões que machucam cegos*, caçoando ou negligenciando e sentindo-se alheio a tudo isso. Você acredita?
*P.S. Os orelhões têm grande dimensão na altura do rosto, porém apenas um cano para sustentá-los na área onde normalmente a bengala do cego procura por obstáculos. Por isso há muitos acidentes, pois quando a bengala não detecta o cano, o cego bate com o rosto no orelhão.
04/04/2010
Xiiii... xi-xi...
Na última vez eu contei de meu café da manhã e depois fui para o escritório sentar em minha poltrona predileta. Eu disse também que de duas em duas horas alguém em casa me lembra de ir ao banheiro fazer xixi, não disse? Depois não diga que eu não disse...
Pois é, esta semana aconteceu um acidente. Lá estava eu belo e folgado em minha poltrona, ouvindo a Diana Krall em seu piano - não sabe quem é? nem eu! - depois que a babá foi embora, Papai jantou, e a vida corria normalmente, enquanto debaixo de mim meu xixi escorria normalmente. Acontece que, depois da "troca da guarda", quando a babá sai e meu pai fica, ele pensou que ela já tivesse me colocado no banheiro. Eu fiquei na minha, bem quietinho.
Há alguns anos eu só uso fraldas descartáveis para dormir, porque às vezes sonho com Foz do Iguaçu que nunca conheci, mas sei que tem água à beça. Minha irmã me treinou para ficar só de cueca e moletom ou bermudas o resto do dia, e mesmo quando alguém se esquece de me mandar para o banheiro, na maioria das vezes vou sozinho ou começo a reclamar.
Desta vez fiquei quietinho, só para ver se meu pai lembrava, e ele não lembrou. O resultado foi aquela bronca! Papai precisou limpar a poltrona com um montão de produtos enquanto eu ia para o trono. Bronca, bronca, bronca. Do banheiro à cama, sem direito a cafuné ou palavras doces de "boa noite, Pedro!"
Tudo bem, pode parecer meio cruel, mas foi assim que eu aprendi muitas coisas, com disciplina. Disciplina é amor, é cuidado, é preocupação com a pessoa que amamos. Até a Bíblia ensina isso:
"Filho meu, não desprezes a correção do SENHOR, E não desmaies quando por ele fores repreendido; Porque o Senhor corrige o que ama, E açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos." Hebreus 12:5-8
Infelizmente tem muitos pais que estão deixando para a TV educar seus filhos, mas eu e meus irmãos nem TV tivemos durante a infância, só quando já éramos adolescentes. Para mim não fez falta nenhuma, pois não consigo enxergar, e meus irmãos desenvolveram uma sede incrível pela leitura.
Surpreso? Oras, existe vida além da televisão e é possível sobreviver sem, desde que os pais estejam sempre criando atividades que compensem.
Pois é, esta semana aconteceu um acidente. Lá estava eu belo e folgado em minha poltrona, ouvindo a Diana Krall em seu piano - não sabe quem é? nem eu! - depois que a babá foi embora, Papai jantou, e a vida corria normalmente, enquanto debaixo de mim meu xixi escorria normalmente. Acontece que, depois da "troca da guarda", quando a babá sai e meu pai fica, ele pensou que ela já tivesse me colocado no banheiro. Eu fiquei na minha, bem quietinho.
Há alguns anos eu só uso fraldas descartáveis para dormir, porque às vezes sonho com Foz do Iguaçu que nunca conheci, mas sei que tem água à beça. Minha irmã me treinou para ficar só de cueca e moletom ou bermudas o resto do dia, e mesmo quando alguém se esquece de me mandar para o banheiro, na maioria das vezes vou sozinho ou começo a reclamar.
Desta vez fiquei quietinho, só para ver se meu pai lembrava, e ele não lembrou. O resultado foi aquela bronca! Papai precisou limpar a poltrona com um montão de produtos enquanto eu ia para o trono. Bronca, bronca, bronca. Do banheiro à cama, sem direito a cafuné ou palavras doces de "boa noite, Pedro!"
Tudo bem, pode parecer meio cruel, mas foi assim que eu aprendi muitas coisas, com disciplina. Disciplina é amor, é cuidado, é preocupação com a pessoa que amamos. Até a Bíblia ensina isso:
"Filho meu, não desprezes a correção do SENHOR, E não desmaies quando por ele fores repreendido; Porque o Senhor corrige o que ama, E açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos." Hebreus 12:5-8
Infelizmente tem muitos pais que estão deixando para a TV educar seus filhos, mas eu e meus irmãos nem TV tivemos durante a infância, só quando já éramos adolescentes. Para mim não fez falta nenhuma, pois não consigo enxergar, e meus irmãos desenvolveram uma sede incrível pela leitura.
Surpreso? Oras, existe vida além da televisão e é possível sobreviver sem, desde que os pais estejam sempre criando atividades que compensem.
26/02/2010
Pedro vai trabalhar
Rê, rê! Brincadeira. Meu trabalho é ficar escutando música o dia inteiro. Você leu o que escrevi antes? Quando eu parei, eu estava no banheiro, recém acordado e a meio caminho entre o vaso e a pia. Vamos continuar? Então venha comigo.
Vou engatinhando até a pia depois de me ajudarem a vestir minha cueca e as calças e fico em pé sozinho segurando na pia. Aí quem estiver comigo lava meu rosto, assoa meu nariz, faz minha higiene bucal e penteia meu cabelo. Fico lindão!
Mas tem que ser tudo nessa ordem, porque sou muito sistemático. Acho que tem a ver com uns restinhos de autismo que moram dentro de mim. Da pia para o chão, basta um escorregão!
Meu destino agora é a copa, onde o pão me espera. O pão aqui vai encontrar o pão ali. (rsrsrs) Para ficar em pé na cozinha, eu segurava na maçaneta da porta, enquanto alguém a mantinha aberta, ficava em pé e me sentava numa cadeira giratória, dessas de rodinhas, estratégicamente posicionada. Aí era só alguém me empurrar até a mesa. Finalmente meu pai tomou vergonha na cara e instalou uma barrinha na parede da copa. Já não preciso segurar na maçaneta da porta.
Tudo isso eu estou explicando para mostrar que, mesmo sem poder andar, não sou um peso para ninguém. Tudo é calculado para eu ter sempre onde me segurar quando preciso ficar em pé ou me sentar em algum lugar. Insistiram comigo desde o começo para eu não acabar atrofiado. O melhor exercício é o da necessidade do dia-a-dia. Mais tarde ninguém em casa vai me culpar por estar sofrendo da coluna de tanto me carregar.
Na mesa basta colocar um pão na minha mão e eu como. Como e também esfarelo para todo lado! Depois, chão de novo, engatinhar e o destino é o escritório de meu pai, onde ele colocou uma super poltrona ao lado de sua mesa. Então começa meu trabalho.
Que trabalho eu faço? Bem, eu sou fiscal de música. Fico analisando cada música que toca e geralmente é jazz ou instrumental suave, pois ele diz que o gênero distrai sem distrair. Como meu pai é palestrante e viaja muito, às vezes eu fico em outro lugar, mas é só ele chegar para eu estar pronto para prestar meus serviços de controle jazzistico de qualidade.
Vou engatinhando até a pia depois de me ajudarem a vestir minha cueca e as calças e fico em pé sozinho segurando na pia. Aí quem estiver comigo lava meu rosto, assoa meu nariz, faz minha higiene bucal e penteia meu cabelo. Fico lindão!
Mas tem que ser tudo nessa ordem, porque sou muito sistemático. Acho que tem a ver com uns restinhos de autismo que moram dentro de mim. Da pia para o chão, basta um escorregão!
Meu destino agora é a copa, onde o pão me espera. O pão aqui vai encontrar o pão ali. (rsrsrs) Para ficar em pé na cozinha, eu segurava na maçaneta da porta, enquanto alguém a mantinha aberta, ficava em pé e me sentava numa cadeira giratória, dessas de rodinhas, estratégicamente posicionada. Aí era só alguém me empurrar até a mesa. Finalmente meu pai tomou vergonha na cara e instalou uma barrinha na parede da copa. Já não preciso segurar na maçaneta da porta.
Tudo isso eu estou explicando para mostrar que, mesmo sem poder andar, não sou um peso para ninguém. Tudo é calculado para eu ter sempre onde me segurar quando preciso ficar em pé ou me sentar em algum lugar. Insistiram comigo desde o começo para eu não acabar atrofiado. O melhor exercício é o da necessidade do dia-a-dia. Mais tarde ninguém em casa vai me culpar por estar sofrendo da coluna de tanto me carregar.
Na mesa basta colocar um pão na minha mão e eu como. Como e também esfarelo para todo lado! Depois, chão de novo, engatinhar e o destino é o escritório de meu pai, onde ele colocou uma super poltrona ao lado de sua mesa. Então começa meu trabalho.
Que trabalho eu faço? Bem, eu sou fiscal de música. Fico analisando cada música que toca e geralmente é jazz ou instrumental suave, pois ele diz que o gênero distrai sem distrair. Como meu pai é palestrante e viaja muito, às vezes eu fico em outro lugar, mas é só ele chegar para eu estar pronto para prestar meus serviços de controle jazzistico de qualidade.
22/02/2010
Bom dia, Pedro!
Meus dias são muito parecidos. Gosto de rotina. Acho que em casos como o meu, a rotina dá segurança. Fazer sempre as mesmas coisas, ir sempre pelo mesmo caminho, ter horário para tudo. Sou feliz assim, metódico. Até na hora de acordar, comer ou dormir gosto de tudo igual. Sou enjoado, né?
Acordo com um "Bom dia, Pedro!" lá pelas sete. A essa hora meu pai já está no segundo café, porque é bem madrugador. Quando me chamam, jogo as cobertas para o lado e saio engatinhando, pois minha cama fica na altura do piso para evitar acidentes.
As cobertas são as minhas e alguma da cama ao lado. É que eu aprendi a puxar as cobertas de meu irmão quando ele dormia ali e eu acabava dormindo duas vezes mais quentinho do que ele. Coitado, ele nem reclamava. Agora ele mora bem longe de mim, mas não acho que foi por isso...
Engatinho até o banheiro, seguro numa barrinha presa na parede e fico em pé. Bem, ficar em pé é modo de dizer, porque minhas pernas não esticam muito por causa de uma atrofia dos tendões. Mas é o suficiente para alguém tirar minha calça e a fralda descartável e me ajudar a sentar no vaso.
É ali que trazem meu leite de soja com chocolate para eu tomar no canudinho. Tomo o leite sentado no trono porque nessa hora costumo demorar. Não fico lendo jornal não, pois nem sei ler! É que gosto de fazer as coisas bem feitinhas.
Quando faço o número 2, alguém precisa me limpar com papel e depois lavar meu bumbum no bidê. Se o estrago não foi muito grande, então, além do papel higiênico, aqueles lencinhos umedecidos já resolvem. O pessoal aqui já adquiriu uma boa técnica, mas levou um bom tempo até descobrirem que passar o lencinho umedecido segurando-o com um pedaço de papel evita ficar com a mão fedida.
Se fizer só o número 1, então colocam de novo minha calça, mas sem a fralda, porque minha irmã me ensinou a segurar o xixi até eu engatinhar até o banheiro mais próximo. Ela ensinou também o resto a família a se lembrar de me levar ao banheiro a cada duas horas. Quando eles se esquecem, eu também me esqueço. Azar deles; quem manda esquecer?
Acordo com um "Bom dia, Pedro!" lá pelas sete. A essa hora meu pai já está no segundo café, porque é bem madrugador. Quando me chamam, jogo as cobertas para o lado e saio engatinhando, pois minha cama fica na altura do piso para evitar acidentes.
As cobertas são as minhas e alguma da cama ao lado. É que eu aprendi a puxar as cobertas de meu irmão quando ele dormia ali e eu acabava dormindo duas vezes mais quentinho do que ele. Coitado, ele nem reclamava. Agora ele mora bem longe de mim, mas não acho que foi por isso...
Engatinho até o banheiro, seguro numa barrinha presa na parede e fico em pé. Bem, ficar em pé é modo de dizer, porque minhas pernas não esticam muito por causa de uma atrofia dos tendões. Mas é o suficiente para alguém tirar minha calça e a fralda descartável e me ajudar a sentar no vaso.
É ali que trazem meu leite de soja com chocolate para eu tomar no canudinho. Tomo o leite sentado no trono porque nessa hora costumo demorar. Não fico lendo jornal não, pois nem sei ler! É que gosto de fazer as coisas bem feitinhas.
Quando faço o número 2, alguém precisa me limpar com papel e depois lavar meu bumbum no bidê. Se o estrago não foi muito grande, então, além do papel higiênico, aqueles lencinhos umedecidos já resolvem. O pessoal aqui já adquiriu uma boa técnica, mas levou um bom tempo até descobrirem que passar o lencinho umedecido segurando-o com um pedaço de papel evita ficar com a mão fedida.
Se fizer só o número 1, então colocam de novo minha calça, mas sem a fralda, porque minha irmã me ensinou a segurar o xixi até eu engatinhar até o banheiro mais próximo. Ela ensinou também o resto a família a se lembrar de me levar ao banheiro a cada duas horas. Quando eles se esquecem, eu também me esqueço. Azar deles; quem manda esquecer?
18/02/2010
Discriminacao benigna
Quando minha avó encontrava alguém que não falava português ela começava a falar bem alto, achando que a pessoa ia ouvir. Aí meu avô precisava intervir: "Ruth, não precisa gritar que ela não é surda, ela só não fala português".
Já ouviu falar de discriminação benigna? Nem eu, inventei agora. Mas acho que existe uma discriminação benigna, isto é, pessoas que não entendem os portadores de necessidades especiais e os discriminam, mas com boa intenção. Querem só ajudar.
Quem me vê acha que em casa sou carregado de um lado para o outro. Não sou. Eu engatinho, por isso ninguém precisa me carregar. Meu pai colocou barrinhas nas paredes nos banheiros e na copa para eu ficar de pé. Eu engatinho até elas, porque já decorei onde estão, fico de joelhos, agarro a barrinha e fico em pé. Aí eu consigo tirar a calça e a cueca e sentar no vaso sanitário segurando na barrinha só com uma mão.
- Manhê! Veja, sem uma mão!
Faço o mesmo para me sentar na cadeira de banho e na cadeira da copa para almoçar, só que neste caso eu não tiro a calça, é óbvio. Também sei me sentar sozinho na cadeira de rodas, mas quando o assunto é cadeira eu preciso que alguém a coloque na posição, ou acabo sentado no chão. Da cadeira de rodas eu consigo segurar na porta aberta do carro, ficar em pé e sentar no assento.
Eu também sei fazer outras coisas, como segurar meu copo de plástico para beber água, ou a colher para comer de um prato fundo. Sei assoar o nariz (alguém precisa tapar uma narina para mim), e também consigo subir e descer de sofás e poltronas. Tomar banho, vestir a roupa, limpar o bumbum... bem, aí sim eu preciso que alguém faça tudo isso para mim.
Acho que muitos portadores de deficiência teriam uma vida melhor se fossem menos paparicados pelos pais. Alguns morrem de dó do filho e nem tentam descobrir se ele é capaz de fazer alguma coisa. Outros sabem que o filho é capaz, mas preferem fazer porque o filho demora muito. Não estão ajudando nem um pouco...
Mas eu falava da discriminação benigna, que são pessoas que tratam deficientes como se fossem inúteis inválidos, mas com boa intenção. Uma moça, que é paraplégica e cadeirante escreveu para este blog, contou que quando vai ao restaurante com a mãe o garçom só fala com a mãe, nunca com ela.
- O que a menina vai comer? A menina vai beber alguma coisa? A menina terminou?
Tirando o problema das pernas, ela é uma pessoa inteligente e capaz, mas o garçom acha que qualquer pessoa numa cadeira de rodas é um vegetal. E tem gente que acha que cadeirante é mendigo. Vou explicar.
Estou até preocupado de meu pai decidir parar de trabalhar e ganhar a vida às minhas custas. É que ontem estávamos no supermercado e ele se afastou um pouco para pegar umas coisas. Eu fiquei sozinho em minha cadeira de rodas, mas de longe meu pai estava de olho em mim.
Ele viu quando uma velhinha se aproximou de mim, abriu a bolsa, tirou uma moeda e colocou na minha mão. Depois foi embora. Meu pai viu tudo, mas achou melhor não interferir. Tenho um palpite de que ele vai arranjar um chapéu e me levar para a praça. Só falta!
Já ouviu falar de discriminação benigna? Nem eu, inventei agora. Mas acho que existe uma discriminação benigna, isto é, pessoas que não entendem os portadores de necessidades especiais e os discriminam, mas com boa intenção. Querem só ajudar.
Quem me vê acha que em casa sou carregado de um lado para o outro. Não sou. Eu engatinho, por isso ninguém precisa me carregar. Meu pai colocou barrinhas nas paredes nos banheiros e na copa para eu ficar de pé. Eu engatinho até elas, porque já decorei onde estão, fico de joelhos, agarro a barrinha e fico em pé. Aí eu consigo tirar a calça e a cueca e sentar no vaso sanitário segurando na barrinha só com uma mão.
- Manhê! Veja, sem uma mão!
Faço o mesmo para me sentar na cadeira de banho e na cadeira da copa para almoçar, só que neste caso eu não tiro a calça, é óbvio. Também sei me sentar sozinho na cadeira de rodas, mas quando o assunto é cadeira eu preciso que alguém a coloque na posição, ou acabo sentado no chão. Da cadeira de rodas eu consigo segurar na porta aberta do carro, ficar em pé e sentar no assento.
Eu também sei fazer outras coisas, como segurar meu copo de plástico para beber água, ou a colher para comer de um prato fundo. Sei assoar o nariz (alguém precisa tapar uma narina para mim), e também consigo subir e descer de sofás e poltronas. Tomar banho, vestir a roupa, limpar o bumbum... bem, aí sim eu preciso que alguém faça tudo isso para mim.
Acho que muitos portadores de deficiência teriam uma vida melhor se fossem menos paparicados pelos pais. Alguns morrem de dó do filho e nem tentam descobrir se ele é capaz de fazer alguma coisa. Outros sabem que o filho é capaz, mas preferem fazer porque o filho demora muito. Não estão ajudando nem um pouco...
Mas eu falava da discriminação benigna, que são pessoas que tratam deficientes como se fossem inúteis inválidos, mas com boa intenção. Uma moça, que é paraplégica e cadeirante escreveu para este blog, contou que quando vai ao restaurante com a mãe o garçom só fala com a mãe, nunca com ela.
- O que a menina vai comer? A menina vai beber alguma coisa? A menina terminou?
Tirando o problema das pernas, ela é uma pessoa inteligente e capaz, mas o garçom acha que qualquer pessoa numa cadeira de rodas é um vegetal. E tem gente que acha que cadeirante é mendigo. Vou explicar.
Estou até preocupado de meu pai decidir parar de trabalhar e ganhar a vida às minhas custas. É que ontem estávamos no supermercado e ele se afastou um pouco para pegar umas coisas. Eu fiquei sozinho em minha cadeira de rodas, mas de longe meu pai estava de olho em mim.
Ele viu quando uma velhinha se aproximou de mim, abriu a bolsa, tirou uma moeda e colocou na minha mão. Depois foi embora. Meu pai viu tudo, mas achou melhor não interferir. Tenho um palpite de que ele vai arranjar um chapéu e me levar para a praça. Só falta!
15/02/2010
Nick Vujicic
Conforme prometi, aqui está uma palestra de Nick Vujicic para você se inspirar. Nick nasceu sem braços e pernas, mas isso não o impede de agarrar as oportunidades e de caminhar mais longe do que muita gente que deixa a vida inteira suas pernas saudáveis penduradas no sofá.
PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3
PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3
14/02/2010
The Butterfly Circus
Meu pai recebeu um email de uma amiga indicando um filme para ele assistir. O filme é "O Circo da Borboleta", estrelado por Nick Vujicic, que nasceu sem braços e pernas. Talvez você fique com pena do personagem do filme ou ache a idéia de ele aparecer na tela um pouco deprimente. Quer saber? É melhor assistir o filme.
Se você já passou da lição do "the book is on the table" talvez entenda o áudio original em inglês. Se preferir, o filme também tem legendas em espanhol. O que? Também não entende espanhol? Que nada, você entende sim. Quando você vê o Brasil jogando contra a Argentina não entende tudo? Então vai entender a legenda também.
Se quiser saber mais sobre a vida de Nick Vujicic, visite Life Without Limbs. Veja também os vídeos que vou publicar aqui na próxima vez.
Se você já passou da lição do "the book is on the table" talvez entenda o áudio original em inglês. Se preferir, o filme também tem legendas em espanhol. O que? Também não entende espanhol? Que nada, você entende sim. Quando você vê o Brasil jogando contra a Argentina não entende tudo? Então vai entender a legenda também.
Se quiser saber mais sobre a vida de Nick Vujicic, visite Life Without Limbs. Veja também os vídeos que vou publicar aqui na próxima vez.
08/02/2010
Vovo'
Quando minha avó ainda vivia, meu pai costumava levá-la ao hospital fazer exames. Ela já estava com mais de setenta anos e as coisas iam ficando cada vez mais difíceis com a saúde e com a idade. Você é jovem? Então preste muita atenção no que vou dizer.
Na Bíblia há um trecho muito bonito que fala da juventude. Está no capítulo 12 do livro de Eclesiastes e diz assim:
Na Bíblia há um trecho muito bonito que fala da juventude. Está no capítulo 12 do livro de Eclesiastes e diz assim:
"LEMBRA-TE também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento;
"Antes que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva;
"No dia em que tremerem os guardas da casa, e se encurvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas;
"E as portas da rua se fecharem por causa do baixo ruído da moedura, e se levantar à voz das aves, e todas as filhas da música se abaterem.
"Como também quando temerem o que é alto, e houver espantos no caminho, e florescer a amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e perecer o apetite; porque o homem se vai à sua casa eterna, e os pranteadores andarão rodeando pela praça;
"Antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço, E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu".
Meu pai percebia tudo isso, enquanto acompanhava vovó pelos corredores do hospital. Quando a velhice vem, já não existe tanta vontade de fazer as coisas, ou contentamento. As mãos – os guardas da casa – estão trêmulas, as pernas – os homens fortes – se encurvaram e os dentes que restam já não moem como antes, enquanto os olhos – os que olham pelas janelas – já não vêem tão bem.
Este é o fim de todos nós, mas os jovens – principalmente os jovens – nem sempre entendem isso. Jovens são apressados, cheios de energia, têm grandes planos pela frente. E o vovô e a vovó? Bem, para caminhar ao lado deles é preciso diminuir o passo. Falar mais alto para que ouçam. Ter paciência para ouvir as histórias repetidas.
Acho que é isso: paciência! Pessoas idosas são como brinquedos com a pilha fraca. Elas vão diminuindo, diminuindo até pararem de vez. Você é jovem e tem alguma pessoa idosa em casa? Então tenha paciência. Diminua seu passo para acompanhar os passos dela. Converse das coisas que ela gosta de conversar. Experimente fazer isso, porque um dia alguém vai fazer o mesmo com você. Ou pelo menos você espera que façam. Seria bom, não é mesmo?
Vovó, Mamãe com Açúcar GABRIELA NASCIMENTO SPADA E SOUZA O livro traz fotos e frases que vão construindo, aos poucos, um gostoso bilhete de amor. Que vovó não vai se deliciar e se emocionar com tantas recordações? É uma homenagem para todas as avós do mundo. Nunca é tarde para mostrar a enorme admiração que elas despertam na gente. |
04/02/2010
Uma luta pela vida
Decidi dar uma palhinha aqui da nova edição do livro "Uma luta pela vida" escrito por minha irmã. O livro estava esgotado, mas agora apareceu de novo e pode ser comprado pela Internet. Se você ler o livro, nem vai precisar mais vir aqui para ler minha história... Estou brincando, claro!
Uma Luta Pela Vida
Lia Persona
O vôo 3805 proveniente de Brasília chegava no horário previsto e preparava-se para pousar. Do andar superior do aeroporto eu podia ver as luzes do avião se aproximando rapidamente. Com apenas seis anos de idade, esticava o quanto podia meu corpinho para enxergar melhor. Lembro-me de como as janelas do avião pareciam incrivelmente pequenas da distância onde eu me encontrava. Tive uma impressão ruim. Minha mente infantil tentava imaginar como seria possível alguém viajar dentro de um avião que parecia ser tão pequeno. Fiquei preocupada só de pensar no tamanho do irmão que meus pais diziam que eu estava prestes a ganhar. Seria do tamanho de minha boneca Barbie?
Senti um certo alívio quando o vi pela primeira vez alguns minutos mais tarde, saindo pelo portão de desembarque. Vinha nos braços de uma mulher que não me era estranha. Ela já tinha nos visitado em outras ocasiões, mas sua chegada nunca fora cercada de tanta expectativ. Maria parecia não precisar fazer muita força para manter aquele corpoinho franzino aninhado em seus braços. Se não fosse pela tosse constante, ele passaria desapercebido. Não pesava mais do que uma bolsa. Pequena.
Maria era a pessoa certa para trazer Pedro. Tinha uma experiência de vida bem peculiar. Adotara oito crianças, algumas com problemas de saúde. Tirou-o do local onde estava, cuidou dele o sufciente para aguentar uma viagem e o trouxe em segurança para nós.
Arregalei meus olhos o máximo que pude. Não queria perder um detalhe sequer daquele primeiro momento. Captei cada particularidade do corpo daquela criança que era passada para os braços da minha mãe. Ela não precisou carregá-lo nove meses antes de nascer. Estava carregando agora pela primeira vez. Um menino de quatro anos. Achei que ele não combinava com minha mãe. Não parecia ser seu filho.
Tudo era diferente nele. Diferente da aparência de meu irmão biológico Lucas e da minha. Seu cabelo volumoso, cacheado e escuro não se parecia em nada com os nossos poucos fios descorados e escorridos. Nem que eu ficasse um ano inteiro tomando sol não conseguiria ficar com a pele tão morena quanto a dele. Maria contou que ele era descendente de negros e índios. Imaginei seus avós caçando com arco e flecha como nos desenhos que eu pintava na escola no Dia do Índio.
Não tive tempo de prosseguir com minhas imaginações. Saímos rapidamente do aeroporto noite adentro andando em direção ao carro no estacionamento. Pedro precisava descansar. Cada vez que ouvia sua tosse, meu coração acelerava. Fiquei assustada com seu estado. Parecia estar muito doente.
Aquele momento ainda permanece em minha memória. Acalentado, embalado, com todo o cuidado, dia após dia, não por saudosismo ou melancolia. Simplesmente por carinho e respeito. Essas coisas a gente não esquece facilmente. Aquela noite mudou minha vida.
Na verdade, mudou a vida de toda minha família e também a vida daquele que chegou numa cegonha a jato. Chegou para ficar. Foi o dia em que um novo começo foi traçado e todo meu futuro mudou. Tomou um novo caminho, um novo rumo. Muito do que sou hoje devo àquilo que considero como uma das melhores experiências que já me ocorreu. Recebi de presente uma lição de vida real, que estaria sempre ali, bem diante de meus olhos e de onde iria tirar inspiração para cada dia, para todos os que meu futuro ainda me reserve.
(continua no livro...)
Compre no Clube de Autores
Senti um certo alívio quando o vi pela primeira vez alguns minutos mais tarde, saindo pelo portão de desembarque. Vinha nos braços de uma mulher que não me era estranha. Ela já tinha nos visitado em outras ocasiões, mas sua chegada nunca fora cercada de tanta expectativ. Maria parecia não precisar fazer muita força para manter aquele corpoinho franzino aninhado em seus braços. Se não fosse pela tosse constante, ele passaria desapercebido. Não pesava mais do que uma bolsa. Pequena.
Maria era a pessoa certa para trazer Pedro. Tinha uma experiência de vida bem peculiar. Adotara oito crianças, algumas com problemas de saúde. Tirou-o do local onde estava, cuidou dele o sufciente para aguentar uma viagem e o trouxe em segurança para nós.
Arregalei meus olhos o máximo que pude. Não queria perder um detalhe sequer daquele primeiro momento. Captei cada particularidade do corpo daquela criança que era passada para os braços da minha mãe. Ela não precisou carregá-lo nove meses antes de nascer. Estava carregando agora pela primeira vez. Um menino de quatro anos. Achei que ele não combinava com minha mãe. Não parecia ser seu filho.
Tudo era diferente nele. Diferente da aparência de meu irmão biológico Lucas e da minha. Seu cabelo volumoso, cacheado e escuro não se parecia em nada com os nossos poucos fios descorados e escorridos. Nem que eu ficasse um ano inteiro tomando sol não conseguiria ficar com a pele tão morena quanto a dele. Maria contou que ele era descendente de negros e índios. Imaginei seus avós caçando com arco e flecha como nos desenhos que eu pintava na escola no Dia do Índio.
Não tive tempo de prosseguir com minhas imaginações. Saímos rapidamente do aeroporto noite adentro andando em direção ao carro no estacionamento. Pedro precisava descansar. Cada vez que ouvia sua tosse, meu coração acelerava. Fiquei assustada com seu estado. Parecia estar muito doente.
Aquele momento ainda permanece em minha memória. Acalentado, embalado, com todo o cuidado, dia após dia, não por saudosismo ou melancolia. Simplesmente por carinho e respeito. Essas coisas a gente não esquece facilmente. Aquela noite mudou minha vida.
Na verdade, mudou a vida de toda minha família e também a vida daquele que chegou numa cegonha a jato. Chegou para ficar. Foi o dia em que um novo começo foi traçado e todo meu futuro mudou. Tomou um novo caminho, um novo rumo. Muito do que sou hoje devo àquilo que considero como uma das melhores experiências que já me ocorreu. Recebi de presente uma lição de vida real, que estaria sempre ali, bem diante de meus olhos e de onde iria tirar inspiração para cada dia, para todos os que meu futuro ainda me reserve.
(continua no livro...)
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Uma Luta Pela Vida - Lia Persona Em uma "Luta pela Vida" Lia Persona compartilha suas emoções e memórias como irmã e enfermeira de seu irmão adotivo portador de paralisia cerebral. A autora intercala seu passado com seu presente; história com realidade; a luta de seu irmão pela vida, com a luta de seus pacientes por suas vidas. Concorrendo com mais de 650 obras inscritas, esse romance baseado em fatos reais, foi vencedor do Concurso Literário Anjos de Branco e escolhido por uma comissão formada pelos escritores Antonio Olinto, José Louzeiro e Arnaldo Niskier da Academia Brasileira de Letras. A primeira edição de "Uma Luta pela Vida" foi publicada como parte da Coleção Anjos de Branco que inclui os autores Antonio Olinto, José Louzeiro, Helena Parente Cunha, Carlos Nejar, Arnaldo Niskier, Marcos Santarrita, Patch Adams e Maureen Mylander. Lia persona é enfermeira formada pela Unicamp e atualmente reside com seu marido e seu filho nos Estados Unidos. Se estiver interessado em entrar em contato com a autora envie seu email para nurselia@yahoo.com.br |
30/01/2010
Cegonhas na Amazonia
Você não vai acreditar! Sabe essas coincidências incríveis que só acontecem uma vez na vida. Pois é, foi o que aconteceu. Se você leu minha história neste blog desde o começo ou leu o livro que minha irmã escreveu deve ter lido sobre a Maria. Quem é Maria?
Bem, Maria era a amiga de meus pais que me descobriu abandonado num barraco em uma favela numa cidade no interior de Goiás. Minha avó, que cuidava de mim, tinha morrido e minha mãe natural não estava lá muito em condições de cuidar. Quando Maria contou para meus pais adotivos (é, eu adotei eles! Ah! Ah!) da minha situação, esta minha nova história começou.
Meus novos pais moravam em São Paulo e deram uma procuração para Maria e seu esposo Jaime cuidarem de representá-los diante do juiz da cidade onde eu estava. Isso foi em 1986, há muito tempo. Meus pais mudaram algumas vezes desde então, e seus amigos Maria e Jaime também. Acabaram perdendo contato e nunca mais se encontraram.
Quando o livro de minha irmã, "Uma luta pela vida", foi publicado, meu pai tentou localizar Maria e Jaime de todas as maneiras, mas não conseguiu. Ele queria enviar um livro para eles, já que Maria era citada em suas páginas. Isso foi em 2003. Não deu, então meu pai esqueceu. Mas sem esquecê-los.
Acontece que meu pai é palestrante, entre outras coisas, e semana passada fez uma palestra em Macapá, no Amapá. Lá em cima do mapa, em plena Amazônia, onde o Brasil vai ficando cada vez mais bonito até acabar em Oiapoque. Os organizadores do evento distribuíram pela cidade outdoors com a foto e o nome de meu pai bem grandes e...
Acontece que meu pai é palestrante, entre outras coisas, e semana passada fez uma palestra em Macapá, no Amapá. Lá em cima do mapa, em plena Amazônia, onde o Brasil vai ficando cada vez mais bonito até acabar em Oiapoque. Os organizadores do evento distribuíram pela cidade outdoors com a foto e o nome de meu pai bem grandes e...
Isso mesmo! Maria e Jaime estavam passando por Macapá a caminho de Oiapoque quando viram aquela carona enorme de meu pai olhando e sorrindo para eles do outdoor. Eles não acreditavam no que viam. Naquela noite puderam se encontrar na palestra e matar as saudades. Agora o livro de minha irmã vai indo pelo correio para o endereço deles que foram como uma segunda cegonha para mim. Não se assuste, eu não acredito em cegonhas. Mas que foram, isso foram!
Laços de Ternura: Compreendendo os Pais Adotivos Luiz Schettini Filho A adoção de filhos traz em si extraordinárias gratificações pessoais, como também apresenta algumas dificuldades peculiares. Aqui, o autor completa o trabalho que começou em Compreendendo o filho adotivo (já na 3ª edição) e aborda o tema do ponto de vista dos pais adotivos. Trata-se de uma análise simples e objetiva de aspectos subjetivos e, no mais das vezes, complexos, da decisão de adotar. Luiz Schettini Filho dedica-se ao acompanhamento psicoterápico de pais e filhos, desenvolvendo estudos e pesquisas sobre a psicologia da criança e do adolescente, que resultaram na publicação de 12 livros. |
22/01/2010
Quem faz a diferenca
O que passa pela cabeça de uma jovem de 24 anos? Bem, talvez a primeira coisa que a gente pense é que ela está preocupada só com seus estudos, com namoro, esportes ou coisas assim, né? Mas tem muitas meninas e meninos por aí que vão um pouco além. Muito além.
É o caso de alguém que deixou um comentário em meu blog. Ela é estudante, tem 24 anos e está terminando o curso de fisioterapia. Sabe com o que ela está preocupada? Sim, com sua profissão, com sua carreira, com tudo o que uma jovem assim se preocuparia, mas também está querendo fazer uma diferença ajudando quem precisa ser ajudado. Veja o que ela escreveu:
Trabalho em um hospital pediátrico onde há um bebê de 1 ano e 7 meses – chamamos bebê por que ela é muito pequenininha. Ela foi internada por causa de uma pneumonia e ficou na UTI um tempão, onde eu a conheci. Chegou ao hospital anêmica, desidratada, desnutrida, super mal, sem cuidado.
Apesar de sua idade, ela não consegue sustentar a sua cabeça ou o tronco. Sabemos que enxerga, porque ela observa tudo, mas tem dificuldades para deglutir. Ela nasceu prematura e em conseqüência disso, tem algum problema neurológico, mas não é tão grave. Com o estímulo adequado ela vai aprender a sentar, comer, e possivelmente até possa andar um dia, quem sabe?
Contudo, isso dificilmente vai acontecer se ela ficar com a família. A família não liga para ela. Ela é a única entre as 60 crianças do hospital que não tem acompanhante. Fica sozinha. A mãe aparece uma vez por semana por 15 minutos e vai embora. Não quer saber dela.
Ela tem 2 irmãos mais velhos e 1 mais novo, de 3 meses. Todos são normais, por isso ela acabou ficando como o encargo da família. É uma criança muito carente de carinho e companhia. Quando estamos tratando ela se acalma, mas se nos afastamos, ela chora muito, a noite inteira.
Hoje, eu não tenho condições de ajudá-la. Pago a minha faculdade sozinha e também vendi tudo o que tinha para fazer um estágio nos EUA. Ele será importante para quando eu voltar eu arrumar um emprego.
A minha vontade era a de assumi-la, mas não posso. O que posso fazer é dar a ela o maior carinho possível durante a terapia e tentar manter contato com a família. Quem sabe daqui um ano eu possa efetivamente ajudá-los?
Esta garota de 24 anos está pensando em fazer a diferença na vida de alguém. Ray Charles foi um deficiente visual que ficou famoso em todo o mundo. Ele ficou cego aos 7 anos de idade e órfão aos 15. Não sei quem foi que fez a diferença na vida daquela criança que aprendeu a ler partituras em Braile, mas certamente houve alguém. E você, que diferença pretende fazer?
Laços de Ternura: Pesquisas e Histórias de Adoção LIDIA NATALIA DOBRIANSKYJ WEBER No Brasil existe uma grande quantidade de crianças sem família e muita gente interessada em realizar uma adoção. Apesar disso, até agora não existia uma publicação que realmente situasse o leitor neste tema o livro contribui firmemente para a superação desta carência de informações sobre a adoção. Assim sendo, a sua leitura é imprescindível para todos aqueles que, de uma forma ou de outra, estejam envolvidos com a adoção de uma criança: pessoas que pretendem adotar, pais adotivos, irmãos adotivos, pessoas que foram adotadas, pessoas preocupadas com o problema das crianças ,sem famílias, pessoas que trabalham em instituições de adoção, legisladores, magistrados, etc. |
31/12/2009
Minha irma
Se você leu a coluna ao lado, já viu que sou o maior fã de minha irmã. Ela cuida super bem de mim e também escreveu minha história no livro "Uma luta pela vida". No livro ela só se esqueceu de dizer que sou um garoto lindão, super simpático e elegante. Mas, é claro, nem sempre nossos biógrafos contam todos os detalhes. Hoje dedico meu blog a minha irmã Lia, que também escreve muito bem.
Na foto abaixo você encontra minha irmã fazendo de conta que está dando um autógrafo no estande da Nobel durante uma gravação feita para a TV. É claro que nem sempre ela finge estar dando autógrafos. Ela também dá autógrafos de verdade.

A cena foi durante uma exposição literária em Limeira, cidade onde moro. Sabia que em minha cidade tem vários outros escritores? Tem sim, inclusive meu pai, que pediu para eu fazer propaganda dos livros dele aqui, mas acho que fica muito chato eu falar de seus livros. Porq ue esses marketeiros querem aproveitar qualquer oportunidade para se promover? Coisa feia, né?
Voltando a falar de minha irmã, ela também participou de uma feira literária em Goiânia, onde aparece na foto abaixo no estande do COREN - Conselho Regional de Enfermagem de Goiás. Lá ela também autografou vários exemplares de "Uma luta pela vida". Será que eu já contei para você que no livro ela conta a minha história? Acho que sim.

O mais engraçado nessa feira foi que ela estava acompanhada do noivo, seu atual marido, que não fala português, e ele foi abordado por um vendedor de enciclopédias que explicou tudinho sobre a enciclopédia sem perceber que estava falando para um estrangeiro. Isso acontece com todo mundo que não procura ouvir antes de falar. Temos dois ouvidos e só uma boca justamente para isso.

Pensa que acabou? Nã-nã-nã. Taí minha irmã outra vez na foto acima recebendo o Troféu Fumagalli, prêmio anual para os limeirenses que mais se destacaram nas diversas áreas. Minha irmã é a nona, quero dizer, não minha avó italiana, mas a que está em nono lugar da esquerda para direita. Ela aparece também no destaque, toda contente com o prêmio.
Antes que me esqueça, o livro em sua segunda edição tem capa nova, como a que você vê bem aqui:
A cena foi durante uma exposição literária em Limeira, cidade onde moro. Sabia que em minha cidade tem vários outros escritores? Tem sim, inclusive meu pai, que pediu para eu fazer propaganda dos livros dele aqui, mas acho que fica muito chato eu falar de seus livros. Porq ue esses marketeiros querem aproveitar qualquer oportunidade para se promover? Coisa feia, né?
Voltando a falar de minha irmã, ela também participou de uma feira literária em Goiânia, onde aparece na foto abaixo no estande do COREN - Conselho Regional de Enfermagem de Goiás. Lá ela também autografou vários exemplares de "Uma luta pela vida". Será que eu já contei para você que no livro ela conta a minha história? Acho que sim.
O mais engraçado nessa feira foi que ela estava acompanhada do noivo, seu atual marido, que não fala português, e ele foi abordado por um vendedor de enciclopédias que explicou tudinho sobre a enciclopédia sem perceber que estava falando para um estrangeiro. Isso acontece com todo mundo que não procura ouvir antes de falar. Temos dois ouvidos e só uma boca justamente para isso.
Pensa que acabou? Nã-nã-nã. Taí minha irmã outra vez na foto acima recebendo o Troféu Fumagalli, prêmio anual para os limeirenses que mais se destacaram nas diversas áreas. Minha irmã é a nona, quero dizer, não minha avó italiana, mas a que está em nono lugar da esquerda para direita. Ela aparece também no destaque, toda contente com o prêmio.
Antes que me esqueça, o livro em sua segunda edição tem capa nova, como a que você vê bem aqui:
28/12/2009
Olimpiada de sensibilidade
Esta historinha chegou por e-mail enviada por uma aluna de meu pai. É dessas que circulam pela Internet e a gente nunca sabe se é verdade ou não, mas mesmo as fantasias servem para ensinar alguma coisa. Esta serve.
Há alguns anos, nas Olimpíadas Especiais de Seattle, nove participantes, todos com deficiência mental ou física, alinharam-se para a largada da corrida dos 100 metros rasos.
Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas com vontade de dar o melhor de si, terminar a corrida e ganhar. Todos, com exceção de um garoto, que tropeçou, caiu rolando e começou a chorar.
Os outros oito ouviram o choro. Diminuíram o passo e olharam para trás. Então eles viraram e voltaram. Todos eles.
Uma das meninas, com Síndrome de Down, ajoelhou, deu um beijo no garoto e disse: "Pronto, agora vai sarar". E todos os nove competidores deram os braços e andaram juntos até a linha de chegada.
O estádio inteiro levantou e os aplausos duraram muitos minutos. E as pessoas que estavam ali, naquele dia, continuam repetindo essa história até hoje.
Talvez os atletas fossem deficientes mentais... Mas, com certeza, não eram deficientes da sensibilidade... Por que? Porque, lá no fundo, todos nós sabemos que o que importa nesta vida é mais do que ganhar sozinho.
O que importa nesta vida é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique diminuir o passo e mudar de curso.
Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas com vontade de dar o melhor de si, terminar a corrida e ganhar. Todos, com exceção de um garoto, que tropeçou, caiu rolando e começou a chorar.
Os outros oito ouviram o choro. Diminuíram o passo e olharam para trás. Então eles viraram e voltaram. Todos eles.
Uma das meninas, com Síndrome de Down, ajoelhou, deu um beijo no garoto e disse: "Pronto, agora vai sarar". E todos os nove competidores deram os braços e andaram juntos até a linha de chegada.
O estádio inteiro levantou e os aplausos duraram muitos minutos. E as pessoas que estavam ali, naquele dia, continuam repetindo essa história até hoje.
Talvez os atletas fossem deficientes mentais... Mas, com certeza, não eram deficientes da sensibilidade... Por que? Porque, lá no fundo, todos nós sabemos que o que importa nesta vida é mais do que ganhar sozinho.
O que importa nesta vida é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique diminuir o passo e mudar de curso.
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